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quinta-feira, 31 de março de 2011

A MISSÃO COMEÇA EM CASA


É dentro de casa que acontece a maior expressão de convivência e de relacionamento fraterno entre as pessoas.


É o ambiente familiar o local onde cada indivíduo constrói sua própria identidade, as raízes da sua personalidade e a fonte para estruturar uma melhor ou pior vida social.

No espaço da família, na casa, Deus derrama suas bênçãos, como aconteceu com Zaqueu do Evangelho, que recebeu Jesus em sua residência.Zaqueu ficou muito sensibilizado com a importante visita que quis até mudar de vida. Jesus disse: "Hoje a salvação entrou nesta casa". Na verdade, a salvação não só entrou naquela casa, mas na vida de Zaqueu. Isto é um convite para que aconteça a verdade, a salvação; não só entrou naquela casa, mas na vida de Zaqueu e o mesmo em nossa vida para que possamos realizar e deixar acontecer a missão de salvação em nós e através de nós. É a vida nova a fonte da missão e a mudança interior é fundamental para a ação transformadora.

O mesmo acontece numa eleição, quando elegemos um novo Presidente da República. Uma nova pessoa, que deve garantir esperança para todos os cidadãos.

A segurança disto vem de berço, da família, da casa. Não podemos esperar muito de quem não tem. Por isto é importante conhecer a vida familiar do candidato.

É o amor de Deus que confere às pessoas o valor da dignidade para exercerem uma missão com frutos positivos. Amor que exige correspondência e opções concretas no exercício dos compromissos assumidos. Aí estão o estímulo e a força para a missão, as condições para um trabalho concreto.

O que esperamos de quem exerce uma missão é a dignidade, o equilíbrio, o respeito por tudo que ajuda a todos, o bem público etc.


Só assim acontece a fertilidade da bênção de Deus. Coisa que não acontece no mundo das injustiças e desonestidades.

Com tudo isto nós conseguimos ver a importância da estrutura familiar, fato que tem sido lamentável nos últimos tempos. A sociedade não está podendo contar mais com a missão que vem de casa.

A falta de estrutura familiar tem sido muito grande, deixado os filhos totalmente sem condições para uma cidadania com responsabilidade.


Dom Paulo Mendes Peixoto

segunda-feira, 28 de março de 2011

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A fábula do Rato


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha disse:

- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !

- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:

- O que? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

“Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”


“Fraternidade e a vida no Planeta”



Arrependimento e Conversão

O arrependimento é o início de tudo, o que vem primeiro.
Já a conversão é uma consequência desse arrependimento, e obviamente vem depois, com o tempo.
"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos" (Atos 3,19).
A conversão produz no arrependimento um sentimento de pobreza espiritual, de humildade, que são frutos do verdadeiro arrependimento e da fé.
Ela implica no abandono, por parte do convertido, de seus velhos hábitos, de quando não centralizava sua vida em Cristo, e sim em si próprio.
Muitas vezes é nesse ponto que erramos ao tentar falar de Jesus para alguém.
Chegamos apontando os erros da pessoa, dizendo que o que ela pensa e faz é errado e que terá de deixar de viver de tal forma. Queremos um novo convertido sem que este tenha tomado consciência de seus pecados e consequentemente, se arrependido.
Só o Espírito Santo é capaz de tocar alguém de tal forma, que este passe a ver as coisas de outro jeito.
Certas coisas, na cabeça da maioria das pessoas, não são erradas, por isso não são pecados.
Você não precisa dizer a ela que ela está errada e nem certa. Quando ela te perguntar o porquê de você não agir da mesma forma que ele, o porquê de não fazer isso ou aquilo, você explica suas razões, suas convicções...
Acho que pelo fato de muitas pessoas não entenderem que somente o Espírito Santo pode realmente mudar uma pessoa, é que vemos tantos casos onde o 'cristão' tenta 'enfiar' na cabeça de outra pessoa o evangelho, causando muitas vezes um trauma naquele que se deseja alcançar.
Precisamos entender, que muitas vezes erramos por escolhas próprias, por não nos colocarmos nas mãos de Deus, por não darmos ouvidos ao que Ele nos diz, e por tomarmos as rédeas sozinhos, sem a ajuda dEle.
Definitivamente, acho que devemos ter muita cautela quando vamos falar ou pregar o evangelho à alguém, pois se feito de forma errada, pode causar um sério empedimento.

Bom aí fica a dica: Antes de querer converter alguém, queira somente apresentar-lhe Jesus. É bem melhor!

Fonte: Ani Ledodi Vedodi Li


Papa recomenda que homem preserve a natureza


Ao lançar a Campanha da Fraternidade de 2011 cujo tema é Fraternidade e Vida no Planeta, o papa Bento XVI apelou para que as pessoas se esforcem para mudar mentalidade e atitudes como "salvaguarda da criação". Segundo ele, para o ser humano conquistar a plenitude deve aprender a superar suas fraquezas e respeitar a natureza como parte da vida e não seguindo uma ordem autoritária e dominadora.

Esta é a 47ª Campanha da Fraternidade desde que foi criada em 1964. A conscientização sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas está entre os principais objetivos da campanha. A busca de ações que preservem a vida no planeta é outra meta da Campanha da Fraternidade. As informações são da rádio oficial do Vaticano.

"Pensando no lema da campanha 'A criação geme em dores de parto', que recorda as palavras de São Paulo na Carta aos Romanos, podemos incluir entre os motivos de tais gemidos o dano provocado na criação pelo egoísmo humano", disse o papa, na sua mensagem.

"Contudo é igualmente verdadeiro que a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. Assim como o pecado destrói a criação, esta é também restaurada quando os filhos de Deus cuidam do mundo a fim de que Deus seja tudo em todos", afirmou o papa.

"O primeiro passo para uma correta relação com o mundo que nos circunda é o reconhecimento, da parte do ser humano, de sua condição de criatura: o homem não é Deus, mas a Sua imagem; por isso, ele deve procurar tornar-se mais sensível à presença de Deus naquilo que está ao seu redor", disse o papa.

De acordo com Bento XVI, o homem passará a ser respeitado à medida que resguardar a natureza e o meio ambiente. "O dever de cuidar do meio ambiente é um imperativo que nasce da consciência de que Deus confia a Sua criação ao ser humano não para que ele exerça sobre ela um domínio arbitrário, mas que a conserve e cuide dela como um filho cuida da herança de seu pai, e uma grande herança Deus confiou aos brasileiros", disse.



70% das crianças e adolescentes que dormem na rua foram violentados dentro de casa

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23,9 mil jovens foram ouvidos pela Secretaria dos Direitos Humanos. Os dados mostram que a grande maioria deles não tem garantidos nenhum de seus direitos fundamentais.


A violência doméstica e o uso de drogas são os principais motivos que levam crianças e adolescentes às ruas. De acordo com o censo da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), cerca de 70% das crianças e adolescentes que dormem na rua foram violentados dentro de casa. Além disso, 30,4% são usuários de drogas ou álcool. A pesquisa ouviu 23,9 mil crianças e adolescentes de 75 cidades do país com mais de 300 mil habitantes e que morassem nas ruas.
A maior parte (32,2%) dessas crianças e adolescentes tiveram brigas verbais com outros membros da família, e 30,6% delas foram vítimas de violência física. Outros 8,8% sofreram algum tipo de abuso sexual. Fugir de casa, para eles, é uma saída para tentar buscar a liberdade, mas que acaba os levando ao mundo das drogas ou os coloca em situações degradantes.


A pesquisa aponta que a maior parte dessas crianças não tem garantidos seus direitos fundamentais. 64,8% deles não possuem documento de identificação, e 76,7% não recebeu educação o suficiente para saber ler ou escrever. O relatório aponta também a existência de discriminação contra esses jovens: 36,8% já foram proibidos de entrar em algum estabelecimento comercial, e 31,3% foram barrados ao tentar utilizar o serviço de transporte público.


A situação fica ainda mais grave porque pelo menos 6,5% dessas quase 24 mil crianças e adolescentes, que não possuem nenhum registro oficial, foram proibidas de emitir um documento, como a carteira de identidade.


A população de crianças e adolescentes em situação de rua é predominantemente do sexo masculino (71,8%), com idade entre 12 e 15 anos (45,13%). A maior parte deles (58,3%) só trabalha nas ruas, mas volta para casa à noite, mas 23,2% dormem nas próprias calçadas ou embaixo de pontes e apenas 2,9% apelam a instituições de acolhimento.


O fato curioso é que 60,5% dos que voltam para suas casas mantêm vínculos familiares, e 55,5% classificam sua relação com a família como boa ou muito boa. Por trabalharem nas ruas, porém, 79,1% desses jovens não concluíram o primeiro grau, e 8,8% nunca estudaram.


A renda que essas crianças e adolescentes conseguem com o trabalho nas ruas também é baixa: 40,3% vivem com menos de R$80,00 semanais. Quanto à raça declarada, 49,2% deles se dizem pardos ou morenos, enquanto 23,8% se consideram brancos e 23,6% negros.


As atividades mais comuns para gerar renda são a venda de produtos de pequeno valor, como balas e chocolates, o trabalho de “flanelinha”, a atividade de engraxate e a separação de material reciclável. 99,2% deles pede dinheiro ou alimentos aos passantes, e apenas 65,2% consegue algum dinheiro desenvolvendo uma dessas atividades.


7,3% dos entrevistados estavam nas ruas acompanhados dos pais e parentes ambulantes, ajudando-os a obter renda. A maioria desses jovens, porém, trabalha pelo próprio sustento (52,7%), enquanto que 43,9% trabalham para ajudar a família.De acordo com a pesquisa, 6,8% pedem esmola ou trabalham na rua porque “não têm o que fazer em casa” e 6,3% porque “é mais divertido ficar na rua”.


De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos, o relatório completo deve ser divulgado na próxima semana. Além disso, a SDH e o Ministério do Desenvolvimento Social apresentarão ações e políticas públicas específicas para essa população.


Fonte: Redação revista Época, com Agência Brasil.


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Nota de www.rainhamaria.com.br


Diz na Sagrada Escritura:


"Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!" (2 Tm 3,1-5)


quarta-feira, 23 de março de 2011


O que é Educar?


O Papa João Paulo II disse que ´o ato de educar é o prolongamento do ato de gerar´; isto é, fazem parte do mesmo ato.

´Gerar segundo a carne significa dar início a uma posterior ´geração´, gradual e complexa, através do inteiro processo educativo´ (CF, 16).

Educar os filhos é a grande missão que Deus confiou aos pais. É por causa da importância dessa tarefa, que Deus ´encheu de honra´ as pessoas dos pais, como vimos no capítulo anterior.


O que é educar?


Os pensadores deram muitas respostas a esta importante pergunta.

Ghandi dizia que ´a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa.´ Nisto é preciso a arte de educar, a mais difícil e mais bela de todas.

Certa vez Michelangelo viu um bloco de pedra e disse: ´aí dentro há um anjo, vou colocá´lo para fora!´ Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: ´o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando´. Educar é isto, é ir com paciência e perícia tirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o ´anjo´ apareça.

Michel Quoist dizia ´que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus.´

Coelho Neto dizia que ´educar é colaborar com Deus´, e que ´é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais´. Também ensinava que a educação não pode ser feita pelo medo, já que ´a educação pelo medo deforma a alma´.

O pensador inglês John Spalding, dizia que ´a educação pelos outros lança as bases; a educação por si mesmo termina o edifício.´

É preciso preparar os filhos para que entendam que a própria pessoa é a principal responsável por sua educação, e que, quem cultiva as suas qualidades sente a própria dignidade e valor da sua vida. Isto será mais importante ainda naqueles casos em que a pessoa tem problemas especiais de saúde, deficiência física, etc. As vezes é preciso chegar ao heroísmo para cultivar´se.

Sotelli afirmava que ´educar é formar homens verdadeiramente livres´.

Para Rousseau,´educar é a arte de formar homens´.

Para Platão,´educar é dar à alma e ao corpo toda a perfeição de que são susceptíveis´.

De fato, educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as suas dimensões: material, intelectual, moral e religiosa. Por isso, educação não se aprende só na escola, mas principalmente em casa. Às vezes se ouve dizer: ´ele é analfabeto, mas é muito educado´. Não adianta ser doutor e não saber tratar os outros; não cumprir com a palavra dada; não se comportar bem; trair a esposa e os filhos; não ser gentil; não ser afável, etc. Sem dúvida, a educação é a melhor herança que os pais devem deixar aos filhos; esta ninguém pode lhes roubar nem destruir.

A educação não é só para as crianças e jovens; é para todos; é uma tarefa que nunca termina na vida. Aliás, alguém disse que a vida é uma escola que nunca tem férias. Cada encontro novo, cada conversa boa, cada aula, cada fato novo, cada livro, acrescenta algo em nossa educação. Na vida, aprendemos com a experiência, nossa e dos outros. É muito mais sábio quem aprende com a experiência dos outros, sem ter que sofrer com os próprios erros.

Ramalho Ortigão afirmou que ´o homem sem educação, por mais alto que o coloquem, permanece um subalterno´.

Educação não é ´esperteza´, ter sucesso a qualquer custo, às vezes pisando e tapeando os outros. A triste filosofia do ´levar vantagem em tudo´, se transformou em filosofia de vida para muitos.

Certa vez Andrew Carnegie disse que ´muitos são instruídos, mas poucos são educados. Um homem educado é aquele que aprendeu a usar a sua mente de forma a conseguir tudo o que deseja sem violar os direitos dos outros.´

O grande pensador grego Aristóteles, dois séculos antes de Cristo, já dizia que ´a educação é um ornamento na prosperidade e um refúgio na adversidade´.

O homem moderno está, sem dúvida cheio de ciência e de sofisticada tecnologia, mas pobre de sabedoria; e sem esta o mundo não pode ser feliz; eis a razão pela qual temos tanta dor. Somente homens sábios poderão dar ao mundo o que ele precisa.

O grande filósofo grego Sócrates, mesmo sem conhecer o cristianismo, já dizia que ´só é útil o conhecimento que nos faz melhores´.

Todos esses conceitos emitidos sobre a educação nos ajudam a entendê´la melhor. O que importa é não deixar o filho sem ela; seria a sua ruína; e, como disse, certa vez Gautier, ´de todas as ruínas do mundo, a ruína do homem é sem dúvida o espetáculo mais melancólico´.

A educação leva a pessoa a descobrir o mundo cada vez mais e a se alegrar com as maravilhas criadas por Deus. O Papa Paulo VI falava do ´banquete da vida´. Só as pessoas educadas podem desfrutar saudavelmente deste banquete. Fernando Pessoa dizia sentir´se ´nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo´.

O documento de Medellin, do II CELAM, diz que:

´A educação é efetivamente o meio´chave para libertar os povos de toda escravidão e fazê´los subir de condições menos humanas a condições mais humanas´(4,8).

É através da educação que a pessoa vai se apropriando da herança da humanidade, aprende a ler as palavras e a realidade que a circunda, torna´se cidadão deste mundo e apto a dar a sua parcela na construção desta obra de Deus, para que o mundo seja um lugar agradável para viver, como irmãos.

É pela educação que o homem deve aprender que o progresso não pode sacrificar a natureza (água, terra, ar, matas, rios, oceanos...), nem pode violar as leis da ética e da moral. Quando isto não acontece, o homem acaba temendo ´aquilo que ele mesmo construiu com as suas mãos e com a sua inteligência´, como disse o Papa João Paulo II, na Redemptor Hominis (15).

Há um belo Salmo que diz:

´Os que semeiam entre as lágrimas, Recolherão com alegria.

Na ida, caminham chorando, Os que levam a semente a esparzir.

Na volta virão com alegria, Quando trouxerem os seus feixes.´

(Sl 125,5´6).

Assim será a vida dos pais e dos educadores; como um semear entre lágrimas, paciência, compreensão, carinho, perseverança, fé, bondade, alegria em ver a semente da virtude ser colocada na terra boa dos corações dos filhos.

Na volta virão com alegria, vendo com o passar dos anos a semente frutificar em boas obras e ações nos próprios filhos.

Nada se constrói neste mundo sem sacrifício e perseverança; muito menos um ser humano. Como ele é a obra mais bela de Deus neste mundo, conclui´se que a sua educação é a atividade mais importante deste planeta.

Ao falar da educação, na Carta às Famílias, o Papa João Paulo II, assim se expressou:

´Em que consiste a educação ? Para responder a esta questão, há que recordar duas verdades fundamentais: a primeira é que o homem é chamado a viver na verdade e no amor; a segunda é que cada homem realiza´se através do dom sincero de si. Isto vale tanto para quem educa como para quem é educado... O educador é uma pessoa que ´gera´ no sentido espiritual. Nesta perspectiva, a educação pode ser considerada um verdadeiro e próprio apostolado´ (CF, 16).

É valioso relembrar aqui, que na celebração do matrimônio, os futuros pais prometem a Deus educar os filhos na fé:

´Estais dispostos a receber amorosamente das mãos de Deus os filhos e a educá´los segundo a lei de Cristo e da Igreja?´

Sobre esta missão dos pais, diz o Papa:

´Se os pais ao darem a vida, tomam parte na obra criadora de Deus, pela educação tornam´se participantes da sua pedagogia conjuntamente paterna e materna.´

´Os pais são os primeiros e principais educadores dos filhos e têm também neste campo uma competência fundamental: são educadores porque são pais.´

´... qualquer outro participante no processo educativo não pode operar senão em nome dos pais, com o seu consenso e, em certa medida, até mesmo por seu encargo.´

Falando de educação, não podemos deixar de dizer claramente uma grande verdade: Não é possível educar sem Deus e sem a Religião. A educação depende das normas morais, e estas vêm da Religião. Na hierarquia dos valores da pessoa humana, acima de todos está a vida espiritual, eterna , transcendente. Sem isto, a educação fica mutilada.

Por que, o mundo de hoje se apresenta diante dos nossos olhos tão macabro? Por que tantos crimes? Por que tanta violência? Por que tanto estupro, que não se ouvia falar antes? Por que tanta droga? Por que tanto alcoolismo? Por que tanto assalto, homicídio, sequestro, corrupção, fraudes, suicídios, ´trombadinhas´? ...

A resposta é fácil:

Porque a educação moderna, atéia, materialista, consumista, hedonista, tirou Deus do coração das crianças, dos jovens e dos adultos. O Criador foi expulso da terra!

Eis, meus amigos, a dura realidade.

Enquanto este triste quadro não for revertido, enquanto Deus, o único e verdadeiro, não voltar ao coração das famílias e das escolas, como antes, não será possível acabar com todas essas mazelas que atormentam a nossa vida hoje. Sem isto não será suficiente encher as ruas de policiais e os códigos de leis. Enquanto o coração do homem não for transformado por Deus, nada mudará na sociedade.

Lamentavelmente, a educação de hoje deixou de lado os valores espirituais e adotou um sistema que apenas valoriza as capacidades pragmáticas, em vista da produção e do consumo imediatos.

Esta filosofia educacional passa por cima dos valores morais, eternos, que dão harmonia e equilíbrio ao homem. Desta forma o educando passa a ser apenas uma peça na gigantesca máquina de produção. Precisamos de uma nova educação, que dê privilégio ao homem e não à produção, ao consumo e ao prazer. E esta é uma guerra que passa por dentro de cada família. É aí, sobretudo, que está lançada a sorte da sociedade.

Pelo que foi dito acima, torna´se super importante a missão educadora e evangelizadora dos pais cristãos hoje. São Tomás de Aquino disse que ´a missão dos pais é uma tarefa até certo ponto paralela ao sacerdócio dos padres´ (Contra Gent. 4, 58).

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

O capítulo 30 do Livro do Eclesiástico nos ensina profundamente sobre essa enorme responsabilidade de educar os filhos, sem o que eles não chegarão à maturidade humana. Começa dizendo:

´Aquele que ama o seu filho, castiga´o com frequência, para que se alegre com isso mais tarde...´ (Eclo 30,1).

Podemos traduzir o ´castiga´o´ por ´educa´o´, uma vez que o castigo só tem sentido se for para educar. Por causa do pecado original, todos nós temos uma natureza lesada, decaída, inclinada ao mal (concupiscência). A educação visa sobretudo recolocar o homem no caminho do bem e da virtude, do qual ele sempre tende a se desviar. É aos pais que cabe sobretudo dar início a esta tarefa na vida dos filhos. A Igreja nos ensina:

´Pela graça do Sacramento do matrimônio os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os seus filhos. Por isso os iniciarão desde a tenra idade nos mistérios da fé, da qual são para os filhos os ´primeiros arautos´ (LG,11). Associá´los´ão desde a primeira infância à vida da Igreja. (CIC, 2225)

O Código de Direito Canônico da Igreja afirma que os pais participam do múnus [missão] de santificação ´quando levam uma vida conjugal com espírito cristão e velando pela educação cristã dos filhos´ (Cân. 835, § 4).

A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, ´é obra do coração´, é obra do amor. Exige dedicação, renúncia, sacrifício, esquecer´se de si mesmo.

A Gaudium et Spes, do Vaticano II, ensina que:

´Os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais´ (GS 48, § 1).

O Catecismo da Igreja afirma que:

´Os pais são os principais e primeiros educadores de seus filhos´ (CIC, 1653; GE,3) .

É por tudo isso que o Papa João Paulo II afirmou que a tarefa fundamental do Matrimônio e da família é ´estar a serviço da vida´, e daí ser chamada de ´ santuário da vida´ (FC, 28).

A Igreja não se cansa de repetir que a família deve ser a ´igreja doméstica´, pois é no seio da família que ´os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo... os primeiros mestres da fé´ (LG 11; FC 21).

É no seio da família que o filho deve ser educado na fé e nos bons costumes. Diz o Catecismo:

´Em nossos dias num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante´ (CIC, 1656).

A Igreja é a ´família de Deus´ (Ef 2,19), e desde a sua origem ela teve o seu núcleo nas famílias que se tornavam cristãs. Quando se convertiam, os cristãos desejavam que ´toda a sua casa´ fosse salva.

O anjo enviado ao centurião Cornélio, ao mandar chamar Pedro à sua casa, disse´lhe:

´Ele te dirá as palavras pelas quais será salvo tu e toda a tua casa´ (At 11,14).

´Senhores, que devo fazer para me salvar? Disseram´lhe [Paulo e Silas]: Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua família´ (At 14,31).

O conhecido jornalista da Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein, quando residia nos Estados Unidos, escreveu em 21/09/97, um interessante artigo intitulado Solução Caseira é Melhor Remédio Contra o Vício, sobre a terrível questão das drogas. Diz ele:

´Para dar apenas um número da gravidade do problema: aqui (EUA) todos os anos 110 mil jovens experimentam heroína. Já são 600 mil viciados em heroína...´´

O jornalista afirma que as universidades americanas receberam dinheiro do governo federal para entrevistar 110 mil jovens e 18 mil pais. E conclui:

´Das entrevistas sai, porém, a indicação de que o melhor remédio contra o vício está em casa. Os pesquisadores encontraram uma íntima relação entre o contato afetivo dos filhos com os pais e os distúrbios. Quanto maior a ligação emocional na família, menor a chance de envolvimento com drogas, bebidas, suicídio, sexo promíscuo e violência´.

Em seguida o jornalista afirma que as gangues procuram de certa forma oferecer aos jovens a família que não tiveram:

´O charme das gangues é justamente oferecer um ambiente de aceitação e até hierarquia. Ou seja, uma família.´

Também a escola aparece com papel fundamental:

´A investigação mostra que o envolvimento emocional com os professores também é um antídoto contra a delinquência´.

Em 21/06/98, o mesmo jornalista, no artigo Você sabe a data do seu nascimento?, sobre os meninos de rua, afirma:

´A culpa por estarem na rua é da pobreza, certo? Errado. A investigação ajuda a desfazer o mito de que só a pobreza gera crianças de rua ´ e de que pobreza gera violência.

É, na verdade, um preconceito. Apenas uma minoria saiu de casa para ganhar dinheiro, algo que tinha percebido (mas não colocado em números), desde o ínício de minhas pesquisas em 1989.

Quando indagada sobre porque saiu de casa, a imensa maioria se refere aos desentendimentos familiares ´ muitas vezes abusos dos padrastos. Foram para a rua porque não suportavam o inferno doméstico, marcado pelo abuso sexual, alcoolismo, drogas e pancadarias... Ou seja, a motivação econômica estava bastante distante.´

´Há toneladas de estudos mostrando que o inferno familiar ajuda a jogar os jovens em comportamentos autodestrutivos, o que significa drogas, tentativa de suicídio, violência.´ (Folha de São Paulo, Cotidiano, 3´7, 21/06/98).

Se o jovem não tem um lar acolhedor, então, acaba indo buscar na rua o carinho e o amor que não encontrou na própria casa.

É necessário descer até as raízes do problema, que são os pais e a moral familiar destruída: divórcio, amor livre, uniões ilícitas, alcoolismo, drogas, etc. O Catecismo afirma que:

´O lar é assim a primeira escola de vida cristã e uma escola de enriquecimento humano (GS,52,§ 1). É daí que se aprende a fadiga e a alegria do trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e mesmo reiterado, e sobretudo o culto divino pela oração e oferenda de sua vida´ (CIC, 1657).

´A catequese familiar precede, acompanha e enriquece as outras formas de ensinamento da fé´ (CIC, 2226).

Fica claro, portanto, que a educação dos filhos, é obra da família, e por isso, sem uma família sólida na fé, a educação dos filhos poderá ficar comprometida. Portanto, a primeira preocupação dos pais deve ser criar um lar cristão, onde não haja lugar para valores não cristãos. O Catecismo diz que:

´Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Dão testemunho desta responsabilidade em primeiro lugar pela criação de um lar onde a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado são a regra. O lar é um lugar apropriado para a educação nas virtudes. Esta requer a aprendizagem da abnegação, de um reto juízo, do domínio de si, condições de toda liberdade verdadeira. Os pais ensinarão os filhos a subordinar as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais´ (CIC, 2223, CA, 36).

Com essas palavras a Igreja mostra qual deve ser o ´conteúdo´ da educação cristã: ternura, perdão, respeito, fidelidade, serviço, abnegação, reto juízo, domínio de si, fé. É evidente que para transmitir esses valores aos filhos, os pais precisam antes vivê´los. Acima de tudo é pelo bom exemplo dos pais que os filhos serão formados.

´Dar bom exemplo aos filhos é uma grave responsabilidade para os pais´, diz o Catecismo (CIC, 2223).

Quando errar perante os filhos, os pais devem ter a coragem de pedir´lhes perdão, sem medo de que esta atitude coerente possa diminuir´lhes a autoridade. Nós pais temos que ser coerentes diante dos filhos, não se apresentando perante eles como ´super´homens´ que não erram. Os pais também erram, e muito; portanto, só lhes resta a alternativa coerente de saber pedir perdão aos filhos, quando falharem com eles. Além do mais, esta atitude corajosa dos pais será para os filhos uma grande lição de humildade. Longe de roubar a autoridade dos pais, essa atitude os fará mais admirados e amados pelos filhos, em vista da sua honestidade diante deles.

O Catecismo, sobre isto, diz:

´Sabendo reconhecer diante dos filhos os próprios defeitos, ser´lhe´á mais fácil guiá´los e corrigi´los´ (CIC, 2223).

Quando um homem erra, qualquer que seja a situação, só lhe resta uma alternativa ética: pedir perdão e reparar os danos causados pelo seu erro. Outra atitude seria orgulho e fingimento. Errar é humano, também para os pais.

Certa vez tive uma ingrata discussão com um dos nossos filhos, quando ele estava no último ano da Faculdade de Engenharia. Isto foi, infelizmente, na hora do almoço. Eu estava irritado e sem paciência, e o tratei com dureza nas palavras. Ele ficou tão ofendido que deixou o prato e saiu da mesa. Naquela hora meu coração ficou apertado... No mesmo instante me dei conta do erro que tinha cometido, e prometi a mim e a Deus: ´vou pedir´lhe perdão!´ À noite, quando ele regressou da Faculdade, o encontrei na cozinha fazendo o seu lanche. Fechei a porta, aproximei´me dele, passei meus braços sobre os seus ombros e lhe disse: ´Filho, me perdoe, não é assim que devemos resolver os nossos problemas...´ A sua resposta foi um abraço amigo, com apenas duas palavras e duas lágrimas: ´obrigado pai´.

Naquele abraço dissiparam´se as trevas e voltou a paz em nossos corações, e hoje somos grandes amigos.

Não se pode adiar o pedido de perdão. É um ato de coragem e de coerência, que deve ser realizado no menor prazo possível, a fim de que o ressentimento da discórdia não tenha tempo de formar raízes em nós e nos filhos.

O Eclesiástico continua a nos ensinar:

´Aquele que dá ensinamento a seu filho será louvado por causa dele´

´O pai morre, e é como se não morresse, pois deixa depois de si um seu semelhante´(Eclo 30,2´4).

Cabe aos pais transmitir aos filhos os ensinamentos e conselhos ´para que sejam salvos´ (Eclo 3,2); contudo, os filhos só ouvirão os conselhos dos pais se tiverem estima e ´admiração´ por eles. Eis algo muito importante: o pai e a mãe têm que ´conquistar´ os filhos. Um filho que admira o pai, o segue e ouve os seus conselhos; caso contrário será difícil.

O nosso querido João Paulo II ensina que:

´Educar é conquistar o coração, animá´lo com alegria e satisfação em busca do bem´.

E como os pais devem conquistar os seus filhos?

Não deve ser com dinheiro, chantagens e outras artimanhas. Muitos pais erram grosseiramente nisto. Pensam que dando aos filhos tudo o que eles querem ´ roupas da moda, tênis de marca, programas mil, poderão conquistá´los. Não será assim; se o fosse, os pobres não teriam como educar os seus filhos.

O pai há de conquistar o filho ´por aquilo que ele é´, e não por aquilo que tem e que lhe dá; isto é, o pai conquistará o filho pelo respeito que lhe dedica, pelo tempo que gasta ao seu lado, pelo consolo que lhe oferece nas horas de dificuldade, pelos passeios que faz com eles, pela ajuda dedicada naquele problema da escola, por sua honestidade pessoal e profissional, pelo bom nome que cultivou, pela dedicação à família, pelo amor e fidelidade à esposa e aos filhos, etc... O mesmo vale para a mãe.

Como é bela aquela frase do Pequeno Príncipe que diz assim:

´Foi o tempo que gastaste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante´.

Caro pai, cara mãe, é todo o tempo, dinheiro, dedicação, carinho, atenção... que você gastar com o seu filho, que vai fazê´lo tão importante para você, e que também vai fazê´lo importante para ele.

Como poderá um filho ouvir os conselhos de um pai que não conquistou o seu respeito e admiração?

Como poderá um filho acatar os ensinamentos de um pai que não o respeita, que trai a sua mãe, ou que não tem responsabilidade profissional ?

Um dia vi um adesivo pregado em um automóvel, e que dizia: ´Adote o teu filho antes que o traficante o faça!´

Eu preferiria escrever: ´Conquiste o teu filho antes que o traficante o faça!´

Se hoje, nós pais, não conquistarmos os nossos filhos, se não nos tornarmos ´amigos´ deles, os perderemos. Só há um jeito hoje de acabar com o uso das drogas: amando e conquistando os filhos na família. Todo o combate ao narcotráfico será em vão enquanto houver jovens carentes do amor dos seus pais. Infelizmente a droga se alastra, mais por culpa da decadência moral e familiar do que pela força do narcotráfico. Se não houver filhos carentes, o traficante ficará só.

Eis aqui o cerne da questão da educação dos filhos hoje. Ou nós os cativamos pela amizade, pelo diálogo e pelo respeito, ou poderemos perdê´los para o mundo.

De muitas maneiras os pais perdem os seus filhos.

Um grave erro dos pais é não ter tempo para eles. Trabalham, trabalham e trabalham... e o tempo escasso que sobra não podem estar com os filhos porque precisam descansar, e fazer outras coisas. Ora, educar os filhos é uma tarefa que exige ´estar com os filhos´. É acompanhando´os no dia´a´dia que temos a oportunidade de corrigí´los. Além do mais, os pais precisam participar da vida dos filhos, para que eles se sintam valorizados e amados. A principal carência dos nossos jovens hoje é a falta de amor dos pais, que se manifesta na ausência e na omissão destes.

Os filhos crescem rápido; não mais do que 18 anos e eles já estão se separando de nós para viver a própria vida. O que não foi feito na hora certa, não poderá ser feito depois.

Outro erro grosseiro de alguns pais é corrigir os filhos de maneira grosseira e na hora inoportuna.

Há dois mil anos, mesmo sem os conhecimentos de psicologia que temos hoje, São Paulo já dizia aos pais:

´E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai´vos na disciplina e na correção do Senhor´ (Ef 6,4).

´Pais, deixai de irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados´ (Cl 3,21).

Esses dois conselhos de São Paulo são de grande importância na educação dos filhos.

Uma coisa é corrigir o filho, outra coisa é irritá´los ou exasperá´los, fazendo´os odiar os pais.

O Livro dos Provérbios diz:

´Quem poupa a vara, odeia o seu filho, quem o ama, castiga´o na hora precisa´ (Prov 13,24).

´Corrige o teu filho enquanto há esperança, mas não te enfureças até fazê´lo perecer´ (Prov 19,11).

Há pais que subestimam os filhos, os tratam com desdém, desprezo. Há pais que ao corrigir os filhos, o fazem com grosseria, palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos. Isto humilha o filho e o faz odiar o pai ou a mãe.

Ao corrigir o filho, deve´se chamá´lo a sós, fechar a porta do quarto e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, e de forma alguma deve´se bater no filho, pois este não é o caminho do amor.

Pode ser bom dar´lhe um castigo adequado, segundo a idade do filho: um tempo no quarto sem poder brincar, por exemplo, para que ele dê valor à liberdade, e não a use mal outra vez. Pode´se cortar o dinheiro, o passeio, etc., mas, tudo com equilíbrio e bom senso.

Sobretudo é importante dizer, que os pais não podem descarregar sobre os seus filhos os próprios nervosismos e preocupações. Muitas vezes isto acontece, e é um desastre na educação. Uma regra há de ser sempre seguida: Nunca corrigir o filho quando se estiver nervoso; certamente se fará algo errado. Um coração agitado e uma mente aflita não têm a mínima condição para corrigir com equilíbrio.

Posso dizer com certeza que todas as vezes que falei e agi com a alma perturbada, acabei fazendo algo errado, do qual me arrependi depois, muitas vezes envergonhado de mim mesmo.

Até mesmo os animais são melhor adestrados com mansidão, quanto mais os nossos filhos!

Nós pais temos que habituar a olhar os filhos como ´pérolas´ preciosas, confiadas a nós por Deus, e dos quais Ele vai nos pedir contas.

Certa vez um cientista russo que esteve participando conosco em um projeto de pesquisa, disse´me que na Rússia há um provérbio que diz: ´Your children are your richness´ (Os teus filhos são a tua riqueza).

Não podemos, de forma alguma, perder para o mundo a luta pela ´conquista´ dos nossos filhos. E, se por acaso ele se afastar de nós e cair no vício da droga, na violência e outras mazelas, cabe a nós pais resgatá´los com toda a nossa dedicação. A razão é esta: é meu filho! É minha filha! Isto basta. Devemos ir até o inferno, se for preciso, para de lá tirar o nosso filho. Duas coisas serão necessárias: amor ao filho e fé em Deus.

O exemplo de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho é exemplar. O próprio Agostinho conta nas suas Confissões, que as lágrimas de sua mãe eram como que o sangue do seu coração transformado em lágrimas nos seus olhos...

Quando ela foi, sob lágrimas, confidenciar ao bispo de Milão, a sua tristeza pela demora da conversão do seu filho, ouviu do bispo esta resposta: ´Filha, não é possível que Deus não converta o filho de tantas lágrimas!´

Santo Agostinho conta´nos que três vezes por dia a sua mãe entrava na igreja para rezar pela conversão dele. Será que já fizemos isto pela conversão do nosso filho?

Não há problema insolúvel quando é apresentado diante de Jesus no Sacrário, com frequência e com fé. O próprio Agostinho experimentou o efeito da graça e dizia : ´O que é impossível à natureza é possível à graça de Deus´.

Portanto, pais e mães que tenham os seus filhos mergulhados nas drogas ou em outras situações graves, não podem desanimar e nem desesperar. Desespero e desânimo são duas palavras que devem ser riscadas do vocabulário cristão: já que ´para Deus nada é impossível´. Com Jesus e Maria tudo pode ser mudado. É preciso perseverar na oração humilde diante de Deus.

Santa Mônica, porque rezou 20 anos pela conversão do seu Agostinho, sem se desesperar e sem desanimar, viu acontecer muito mais do que pediu a Deus. Ela lhe pedia apenas a conversão do filho; e, no entanto, Deus não só lhe deu a graça da conversão, mas fez dele um sacerdote, bispo, santo, teólogo e doutor da Igreja. Um dos maiores homens da fé, que defendeu a Igreja contra as perigosas heresias do seu tempo: maniqueísmo, arianismo, pelagianismo, donatismo e outras. Tudo porque a sua mãe rezou por ele, sem cessar.

É este o caminho para que toda mãe salve o seu filho. Será que como ela, estamos decididos a entrar numa igreja, três vezes por dia, pára, diante do Senhor sacramentado, implorar a graça da conversão do nosso filho, esposo, esposa? ... Mônica deixou sua pátria na África e seguiu o seu Agostinho na Itália até vê´lo convertido ao catolicismo.

Outro ensinamento que o Eclesiástico dá aos pais é este:

´Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas´ (Eclo 30,7).

Mimar o filho é dar a ele tudo o que ele quer, é não saber por limites às suas exigências; é fazer por ele aquilo que ele deveria fazer por si mesmo. A palavra de Deus é forte: tal prática ´estraga´ o filho, e mais tarde teremos que lhes curar as feridas. A razão disso é que o filho mimado na infância e na adolescência, cresce pensando que o mundo lhe pertence e que todos devem fazer a sua vontade. Quando cresce e percebe que a realidade da vida é outra bem diferente, então se revolta contra os pais, contra as autoridades, contra Deus, que acha injusto contra ele.

O filho mimado e super protegido pelos pais, não aprende o valor do trabalho, do estudo, da solidariedade com os que sofrem, e cultiva o amor próprio, o egoísmo e o egocentrismo; o mundo gira em torno dele. Sobretudo cultiva a auto´piedade e a mania de perseguição.

Não faça por seu filho o que ele pode fazer por si mesmo; deixe´o andar com as próprias pernas, ainda que ele tenha que levar vários tombos até aprender.

Certa vez um garotinho de dois anos de idade, que estava brincando, caiu, mas sem se ferir com gravidade. Caído ali no chão, começou a chorar. Como ninguém deu atenção a ele, já que nada de grave lhe tinha acontecido, começou a gritar: ´ai que dó de mim! ai que dó de mim!´. É a imagem autêntica da auto´piedade. Se a criança crescer cultivando este sentimento, amanhã teremos aquele adulto cheio de ressentimento, murmuração, tristeza, melindres e mau´humor. Torna´se o tipo da pessoa chata, que os outros evitam, e que terá dificuldade para fazer amigos.

Esta e outras tristezas acompanham o filho mimado.

O Eclesiástico também diz:

´Um cavalo indômito torna´se intratável, a criança entregue a si mesma torna´se temerária´ (Eclo 30,8).

Já dissemos que o pecado original deixou em todos nós a tendência ao mal. Podemos comparar isto a um terreno abandonado. Por si só não produzirá frutos e verduras; ao contrário, nele crescerá muito mato, espinhos, e se tornará talvez um depósito de lixo e ninho de ratos, cobras, lagartos e escorpiões venenosos. Assim também uma criança que não receber a educação persistente dos pais, torna´se, como diz a Bíblia, como ´um cavalo indomável´.

Também a natureza humana precisa ser ´domada´, para produzir belas virtudes, assim como um campo cultivado produz belas frutas, verduras e flores.

´Adula o teu filho e ele te causará medo, brinca com ele e ele te causará desgosto´ (Eclo 30,9).

Adular é bajular, agradar e elogiar em excesso, colocar o filho numa posição de destaque exagerado, como se fosse o melhor do mundo, sem perceber que ele também precisa da correção.

Como a criança aprende mais por imitação do que por reflexão, o filho que é bajulado aprende a bajular, o que é péssimo para o seu futuro. Aquele que sabe adular, sabe também caluniar. Einstein dizia: ´enquanto não os atrapalho os homens me elogiam´. Coelho Neto afirmava que ´quem sobe por bajulação sempre deixa um rastro de humilhação´. Muitos, infelizmente, aceitam até rastejar para conseguir os seus interesses escusos; não devem reclamar se por acaso forem pisados por alguém. É próprio do escravo ter um preço; e qualquer um que aceite subir pela bajulação, fixará, com a sua conduta, o seu próprio preço e a sua escravidão. Não se pode cultivar isto nos filhos.

´Brincar´ com o filho é não levá´lo a sério, achar graça até nas coisas erradas que ele faz, etc.

Há pais que parecem cegos diante dos problemas dos próprios filhos. As vezes a criança está sendo inconveniente, incomodando todo mundo com os seus maus hábitos, de gritar, chutar, correr onde não pode, etc, e mesmo assim o pai e a mãe não tomam a mínima providência; ou, quando o fazem, não usam de autoridade, e, por isso, não têm sucesso. Quantas vezes a criança irrita a todos, mas para os pais parece que tudo está bem; parecem cegos.

Se de um lado, é preciso ter certa tolerância com o comportamento da criança, por outro lado, não se pode permitir que ela ultrapasse os limites da própria idade. Há pais que são muito ´moles´ com os filhos, isto não é amor, é fraqueza que gera maus hábitos na criança.

Há também aqueles pais que têm o péssimo hábito de exibir os filhos, como se fossem as melhores crianças do mundo. Isto acontece no lar, na rua, na casa dos outros principalmente, e até na igreja durante a celebração da missa. Tem mãe que parece levar a criança na igreja mais para exibi´la do que para ensiná´la a rezar, ou porque não tem com quem a deixar em casa. Ora, deixemos de ser orgulhosos e exibicionistas. Aquela criança passeando no meio da igreja está tirando a atenção de quem está participando da missa, a maior celebração da nossa fé. Além do mais atrapalha o celebrante, especialmente durante a homilia.

É preciso se conscientizar que os nossos filhos não são objetos de decoração, exibição e nem vitrines do nosso eu que deseja aparecer através deles.

Os pais devem cultivar nos filhos as atitudes de sobriedade, discrição, respeito, acolhimento, etc, e não, como tanto se vê, atitudes de exibicionismo. Isto não faz bem à criança.

André Berge, educador francês, costumava dizer que ´os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos´; portanto, é preciso tomar muito cuidado para que os nossos erros não sejam transmitidos para os filhos. Sabemos que ´filho de peixe é peixinho´; isto é, a criança tende a ser a cópia dos pais, naquilo que eles têm de bom e de mau.

´Não lhe dês toda a liberdade na juventude, não feches os olhos às suas extravagâncias´ (Eclo 30, 11).

Na arte de educar os filhos, a corda mais sensível é a da liberdade. De um lado, não se pode dar ´toda´ a liberdade que eles querem, mas, por outro lado não se pode suprimi´la de vez. Alguns pais erram, exagerando num extremo ou no outro. Diria que educar é ensinar o filho a usar a liberdade com responsabilidade. O pecado, o mau comportamento, consiste exatamente no ´abuso da liberdade´, no seu uso sem responsabilidade e sem o compromisso com a verdade.

Para conseguir isto, os pais devem dar liberdade aos filhos na medida em que eles correspondem com responsabilidade. Quanto mais responsável o filho se mostrar, tanto mais liberdade receberá; até o ponto em que ele mesmo porá limites a si próprio. E é importante dizer que esta prática deve começar bem cedo, tão logo a criança adquira o uso da razão, por volta dos seis anos de idade.

Sobretudo, é preciso prestar atenção ao que foi dito: ´não feches os olhos às suas extravagâncias´. Às vezes os pais estão percebendo que os filhos não estão agindo bem, e mesmo assim nada fazem. Mesmo até quando algum amigo ou parente, vem alertá´los sobre os maus comportamentos do filho, e ainda assim, permanecem sem agir. Muitas vezes a mãe está vendo que aquele namoro não está indo bem, ultrapassando os limites, mas faz de conta que não percebe a gravidade da situação; até que mais tarde venha a chorar porque a filha engravidou, ou porque o filho está se drogando, ou porque se envolveu em sérias confusões com a polícia, etc. Ora, é preciso ser vigilante com os filhos; isto é dever dos pais, dado por Deus.

Na sua sabedoria o Eclesiástico diz aos pais:

´Obriga´o a curvar a cabeça, enquanto jovem, castiga´o com varas enquanto ainda é menino, para que não suceda endurecer´se e não queira mais acreditar em ti; e venha a ser um sofrimento para a tua alma´ (Eclo 30,12).

Conhecemos muito bem o provérbio que diz: ´é de pequenino que se torce o pepino´. Quando a planta é ainda pequena, é possível retificá´la facilmente, amarrando´lhe uma estaca. O mesmo se dá com a natureza humana. Sem reações, a criança aceita a correção do pai e da mãe, não lhes questiona a autoridade, pois não tem ainda o senso crítico desenvolvido. É a melhor hora para educar e moldar o seu caráter com os valores retos da moral e da fé. É precisamente esta a sagrada missão que Deus confiou aos pais; moldar aquele caráter em formação, desenvolver na criança os hábitos corretos, de maneira suave, indolor, natural, na hora certa. Se passar a ´hora certa´, tudo vai ficar mais difícil depois, para os pais e para os filhos.

A criança aprende mais por imitação do que por convicção. Se ela vê o pai e a mãe gritarem, ela também grita; se ela vê os pais baterem, ela bate também nos irmãos menores; se ela vê os pais rezarem, ela reza; se ela ouve os pais dizerem palavrões, ela diz também.

Por fim o Eclesiástico termina dizendo:

´Educa o teu filho, esforça´te por instruí´lo para que te não desonre com sua vida vergonhosa´ (Eclo 30,13).

Insisto neste ponto: o filho só aceitará a instrução do seu pai ou de sua mãe, se os respeitar e admirar pelo seu próprio valor. Para isto é fundamental que os pais tratem os filhos, desde pequenos, com atenção, seriedade e respeito.

Um erro que certos pais cometem, e que os separa dos filhos, é rejeitar os amigos deles e não permitir que eles os tragam para casa. Certas mães, por exemplo, para evitar as desordens que os filhos normalmente fazem, quase os expulsam de casa com os amigos. Saibam que estão fazendo péssimo negócio.

Para ser amigo do seu filho, seja também amigo dos seus amigos. Esteja com eles, ganhe´lhes a confiança. Esta atitude ajuda´nos a conhecer os amigos dos nossos filhos, a fim de que possamos evitar as suas más companhias, que certamente poderão corromper os seus costumes. É muito melhor ter os filhos perto de nós em casa, com os amigos, mesmo fazendo alguma coisa que não seja inteiramente do nosso agrado, do que tê´los longe dos olhos ...

O jardim da nossa casa, durante os anos de infância dos nossos filhos, foi o seu campinho de futebol onde eles reuniam os amigos para jogar. Preferimos deixar para plantar as flores depois que eles cresceram, já que eles sempre foram as nossas flores mais importantes.

Um princípio vital na educação dos filhos, e que os pais jamais podem esquecer, é que não se pode deixar para amanhã, aquilo que a educação exige que seja feito hoje. Amanhã pode ser tarde. O filho cresce muito mais depressa do que a gente pensa.

Há um provérbio chinês que diz assim: ´o que mata a planta não é a erva daninha, é a preguiça do lavrador´. O mesmo pode´se dizer de alguns pais que se descuidam da educação dos seus filhos.

Outra necessidade vital para a família é que esta seja unida. Sempre que possível, saírem todos juntos nas viagens de férias e nos passeios. São oportunidades de ouro para educar os filhos. Infelizmente certos pais preferem viajar para longe, sozinhos, ao invés de ir para lugares mais próximos com toda a família.

Temos que nos convencer de uma verdade: não há alegria maior, mais autêntica e mais durável do que aquela que a família nos dá.

Enfim, ensina´nos o Espírito Santo:

´Tens filhos, educa´os, e curva´os à obediência desde a infância, Tens filhas, vela pela integridade de seus corpos´ (Eclo 7, 25´26).

Mais do que tudo o que já foi dito até aqui, vale relembrar, como disse o educador João de Freitas, que ´os filhos são o que são os pais´. Ou como disse o frei Dr. Albino Aresi:

´Educa´se mais por aquilo que se é do que por aquilo que se ensina´.

Quase que inconscientemente os pais transmitem para os filhos o seu comportamento e o seu equilíbrio. Toda a segurança e apoio dos filhos está nos pais. Quando estes estão nervosos e descontrolados, os filhos sentem´se, imediatamente inseguros e desnorteados, sem ter em quem se apoiar. Esses desequilíbrios geram traumas marcantes na vida da criança e do jovem, às vezes, por toda a vida.

Por essa carência afetiva é que os jovens buscam as variadas autocompensações: drogas, aventuras violentas, crimes, rachas de automóveis, bebidas, farras, etc.

Eis um fato de vida ensinado por frei Dr. Albino Aresi:

´Ninguém fica por muito tempo sem compreensão e amor. Ou se entregará a Deus, ou se compensará com as criaturas.´ (Pode´se educar sem Deus?, Ed. Mens Sana, SP, 1986, p.197).

Transferimos para os nossos filhos todas as nossas angústias, emoções e problemas que vivemos; portanto, é preciso poupá´los disso tudo.

Alguns pais confundem autoridade com autoritarismo, gerando revolta nos filhos. Outros pais são frios e distantes, e não se dão conta das angústias dos filhos.

Durante a Revolução Francesa (1789), um criminoso estava para ser executado na guilhotina; então, pediu ao juiz, para falar à platéia curiosa, antes de morrer. Disse:

´Perdôo o juiz que me deu a sentença merecida. Perdôo os soldados que me prenderam. Perdôo o carrasco que irá me executar... Mas aqui no meio de vós há alguém que eu não posso perdoar: esse alguém são meus pais, que não me amaram e não me educaram...´

Por outro lado, não pode haver também a superproteção, pois gera no filho a falta de auto´afirmação e de personalidade, podendo até, como garantem alguns psicólogos, gerar a esquizofrenia e a homossexualidade, por fazer a criança psiquicamente dependente. Isto impede o seu pleno amadurecimento.


Do livro ´ FAMÍLIA, SANTUÁRIO DA VIDA´ ´ do Prof. Felipe Aquino



Educando na fé ...

O Papa João Paulo II, na Exortação Apostólica "Catequese Hoje", afirma que "a tarefa do catequista é apresentar os meios para ser cristão e mostrar a alegria de viver o Evangelho" (CT 147). Portanto, "a alegria é um bom método de aprendizagem".


Padre Jânison de Sá relembra que o Papa João Paulo II já dizia: "Devemos priorizar a catequese, a Igreja do amanhã dependerá de nossa catequese hoje".

1) Criar maior unidade na pastoral catequética, organizando melhor a catequese nos diversos níveis (regional, diocesano, paroquial) e pondo em prática as orientações que já existem;

2) Formar catequistas como comunicadores de experiências de fé, comprometidos com o Senhor e sua Igreja, com uma linguagem inculturada que seja fiel à mensagem do Evangelho e compreensível, mobilizadora e relevante para as pessoas do mundo de hoje, na realidade pós-moderna, urbana e plural;

3) Fazer da Bíblia realmente o texto principal da catequese;

4) Fazer com que o princípio de interação fé e vida seja assumido na atividade catequética de modo que o conteúdo responda aos desafios do mundo atual;

5) Suscitar nos catequistas e catequizandos o sentido do valor da celebração litúrgica, da dimensão orante na catequese e o amor pela comunidade;

6) Assumir o processo catecumenal como modelo de toda a catequese e, conseqüentemente, intensificar o uso do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA);

7) Passar de uma catequese só orientada para os sacramentos, para uma catequese que introduza ao mistério de Cristo e à vida eclesial;

8) Integrar na catequese as conquistas das ciências da educação, particularmente a pedagogia;

9) Fazer com que a catequese se realize num contexto comunitário, seja um processo de inserção na comunidade eclesial e que essa seja catequizadora;

10) Incentivar a instituição do ministério da catequese;

11) Tornar efetiva a prioridade da catequese com adultos como resposta às novas exigências da evangelização e como pedem Catequese Renovada 130 e a Segunda Semana Brasileira de Catequese;

12) Incentivar a catequese junto a pessoas com deficiência;

13) Motivar e estimular os catequistas e catequizandos para o compromisso missionário e social da fé, assumido no Sacramento da Confirmação;

14) Buscar parcerias com a pastoral da juventude, missionária e outras, atingindo assim mais pessoas neste processo.

Os desafios de hoje

A catequese vem recebendo da Igreja no Brasil uma crescente valorização. Comprovam esta afirmação documentos, cursos, encontros, celebrações, mobilizações, livros, revistas, e tantas outras iniciativas, que se multiplicam por este imenso País e melhoram em qualidade. Padre Jânison diz que "a prova mais forte desse apreço está na quantidade de catequistas que se dedicam com grande paixão a este ministério vital para a educação da fé, da esperança e da caridade, dos que optam por seguir Jesus Cristo. E também são milhares as pessoas que, sem serem denominadas catequistas, o são, de fato, pois exercem esta mesma missão em nossas comunidades eclesiais".

Porém segundo o mesmo padre as maiores necessidades dos catequistas hoje são:

a) Comunicar e transmitir o Evangelho com convicção e autenticidade;
b) Tornar-se um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, comprometendo-se a viver e trabalhar na construção do Reino de Deus;
c) Assumir uma espiritualidade de identificação com Jesus Cristo, sustentada pelo testemunho quotidiano de justiça e solidariedade, pela Palavra de Deus, pela Eucaristia e pela missão;
d) Crescer de forma permanente na maturidade da fé, com clareza de fé, de identidade cristã e eclesial;
e) Engajar-se na comunidade eclesial e assumir a consciência de que é em nome da Igreja que transmite o Evangelho;
f) Saber adaptar a mensagem às culturas, às idades e às situações sociais, culturais e existenciais (cf DGC 236);
g) Assumir na catequese as dimensões da Palavra, da Memória e do Testemunho (cf MPD nº 8-10);
h) Proporcionar o gosto pela Palavra de Deus e fazê-la ecoar e repercutir na vida da comunidade;

Catequese com adultos

Os adultos são, no sentido mais amplo, os interlocutores primeiros da mensagem cristã. Deles depende a formação de novas gerações cristãs, através do testemunho da família, no mundo social e político, no exercício da profissão e na prática de vida e da comunidade. Padre Jânison afirma que "é na direção dos adultos que a evangelização e a catequese devem orientar seus melhores agentes. São os adultos os que assumem mais diretamente, na sociedade e na Igreja, as instâncias decisivas e mais favorecem ou dificultam a vida comunitária, a justiça e a fraternidade. Urge que os adultos façam uma opção mais decisiva e coerente pelo Senhor e sua causa, ultrapassando a fé individualista, intimista e desencarnada".

Pe. Jânison afirma que "os adultos, num processo de aprofundamento e vivência da fé em comunidade, criarão, sem dúvida, fundamentais condições para a educação da fé das crianças e jovens, na família, na escola, nos meios de comunicação social e na própria comunidade eclesial" (CR 130).

É preciso distinguir entre os adultos que vivem sua fé (praticantes), adultos apenas batizados (não praticantes ou afastados) e os adultos não batizados; levar em conta seus problemas e experiências, capacidades espirituais e culturais; motivá-los para a vivência da fé em comunidade, para que ela seja lugar de acolhida e ajuda; fazer um projeto orgânico de pastoral com os adultos que integre a catequese, a liturgia e os serviços da caridade (cf DGC 174).

O catequista é um instrumento vivo, através do qual Deus se comunica com os homens; é um educador da fé e não um mero repetidor de uma doutrina; é um transmissor do Evangelho com a própria vida, seguindo o conteúdo, o estilo e os métodos de Jesus, aprendendo a ter os seus mesmos sentimentos e atitudes (cf. Fl 2, 5-11).

O catequista é uma pessoa escolhida por Deus, através da sua Igreja para ser um instrumento eficaz para transmitir, com a própria vida e pela Palavra, a Boa Nova do Reino Deus.



terça-feira, 22 de março de 2011

Dia Mundial da Água


No mês em que se comemora o Dia Mundial da Água,
é preciso lembrar que, em diversos lugares do planeta,
milhares de pessoas já sofrem com a falta desse bem essencial à vida.


A Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a resolução A/RES/47/193 de 22 de fevereiro de 1993, através da qual 22 de março de cada ano seria declarado Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 93, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (sobre recursos hídricos) da Agenda 21. E através da Lei n.º 10.670, de 14 de maio de 2003, o Congresso Nacional Brasileiro instituiu o Dia Nacional da Água na mesma data.

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Os Estados foram convidados, como fosse mais apropriado no contexto nacional, a dedicar o Dia a atividades concretas que promovessem a conscientização pública através de publicações e difusão de documentários e a organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das recomendações da Agenda 21.

No mês em que se comemora o Dia Mundial da Água, é preciso lembrar que, em diversos lugares do planeta, milhares de pessoas já sofrem com a falta desse bem essencial à vida.

A água é um bem precioso e insubstituível. É um elemento da natureza, um recurso natural. Na natureza podemos encontrar a água em três estados: sólido (gelo), gasoso (vapor) e líquido. Ainda classificando a água ela pode ser: doce, salobra e salgada.

É de domínio público e de vital importância para a existência da própria vida na Terra. A água é um recurso natural que propicia saúde, conforto e riqueza ao homem, por meio de seus incontáveis usos, dos quais se destacam o abastecimento das populações, a irrigação, a produção de energia, o lazer, a navegação.

De acordo com a “Gestão dos Recursos Naturais da Agenda 21, a água pode ainda assumir funções básicas, como:

  • Biológica: constituição celular de animais e vegetais.
  • Natural: meio de vida e elemento integrante dos ecossistemas.
  • Técnica: aproveitada pelo homem através das propriedades hidrostática, hidrodinâmica, termodinâmica entre outros fatores para a produção.
  • Simbólica: valores culturais e sociais.

Muito se fala em falta de água e que, num futuro próximo, teremos uma guerra em busca de água potável. O Brasil é um país privilegiado, pois aqui estão 11,6% de toda a água doce do planeta. Aqui também se encontram o maior rio do mundo - o Amazonas - e o maior reservatório de água subterrânea do planeta - o Sistema Aqüífero Guarani.

No entanto, essa água está mal distribuída: 70% das águas doces do Brasil estão na Amazônia, onde vivem apenas 7% da população. Essa distribuição irregular deixa apenas 3% de água para o Nordeste. Essa é a causa do problema de escassez de água verificado em alguns pontos do país. Em Pernambuco existem apenas 1.320 litros de água por ano por habitante e no Distrito Federal essa média é de 1.700 litros, quando o recomendado são 2.000 litros.

Mas, ainda assim, não se chega nem próximo à situação de países como Egito, África do Sul, Síria, Jordânia, Israel, Líbano, Haiti, Turquia, Paquistão, Iraque e Índia, onde os problemas com recursos hídricos já chegam a níveis críticos. Em todo o mundo, domina uma cultura de desperdício de água, pois ainda se acredita que ela é um recurso natural ilimitado. O que se deve saber é que apesar de haver 1,3 milhão de km\3 livre na Terra, segundo dados do Ministério Público Federal, nem sequer 1% desse total pode ser economicamente utilizado, sendo que 97% dessa água se encontra em áreas subterrâneas, formando os aqüíferos, ainda inacessíveis pelas tecnologias existentes.

Políticas públicas e um melhor gerenciamento dos recursos hídricos em todos os países tornam-se hoje essenciais para a manutenção da qualidade de vida dos povos. Se o problema de escassez já existente em algumas regiões não for resolvido, ele se tornará um entrave à continuidade do desenvolvimento do país, resultando em problemas sociais, de saúde, entre outros.

O país está tomando medidas concretas para impedir esse futuro, entre elas a criação da Agência Nacional de Águas, a sobreposição do rio São Francisco, adoção de técnicas de reuso de água e construção de infra-estrutura de saneamento, já que hoje 90% do esgoto produzido no país é despejado em rios, lagos e mares sem nenhum tratamento.

Segundo a Organização das Nações Unidas - ONU, 50% da taxa de doenças e morte nos países em desenvolvimento ocorrem por falta de água ou pela sua contaminação. Assim sendo, o rápido crescimento da população mundial e a crescente poluição, causado também pela industrialização, torna a água o recurso natural mais estratégico de qualquer país do mundo.

Para cada 1.000 litros de água utilizados, outros 10 mil são poluídos. Segundo a ONU, parece estar cada vez mais difícil se conseguir água para todos, principalmente nos países em desenvolvimento. Dados do International Water Management Institute - IWMI mostram que, no ano de 2025, 1.8 bilhão de pessoas de diversos países deverão viver em absoluta falta de água, o que equivale a mais de 30% da população mundial. Diante dessa constatação, cabe lembrar que a água limpa e acessível se constitui em um elemento indispensável para a vida humana e que, para se tê-la no futuro, é preciso protegê-la para evitar o futuro caótico previsto para a humanidade, quando homens de todos os continentes travarão guerras em busca de um elemento antes tão abundante: a água.

Devido à grande expansão urbanística, a industrialização, a agricultura e a pecuária intensivas e ainda à produção de energia elétrica - que estão estreitamente associadas à elevação do nível de vida e ao crescimento populacional - crescentes quantidades de água passaram a ser exigidas.

As crescentes necessidades de água, a limitação dos recursos hídricos, os conflitos entre alguns usos e os prejuízos causados pelo excesso de água exigem um planejamento bem elaborado pelos órgãos governamentais, estaduais e municipais, visando técnicas de melhor aproveitamento dos recursos hídricos. Além das responsabilidades públicas, cada cidadão tem o direito de usufruir da água mas o dever de preservá-la, utilizando-a de maneira consciente, sem desperdícios, assim dando o valor devido à água.

Use a água racionalmente, a fonte não pode secar!

Brasil implementa ações para garantir água em quantidade e qualidade


Foto Brasil implementa ações para garantir água em quantidade e qualidade

O planeta celebra o Dia Mundial da Água
preocupado com o efeito que as mudanças no clima,
provocadas pelas atividades humanas,
podem desencadear no ciclo das águas.

21/03/2011

Suelene Gusmão e Cristina Ávila*

Mais do que um monumento natural que o mundo admira, as Cataratas do Iguaçu são um símbolo da abundância dos recursos hídricos em território brasileiro. Mas essas belezas não se distribuem de forma igual em todo o País. Cada bioma tem suas características, e a Amazônia é nosso maior reservatório de águas doces. Como o Brasil é o principal reservatório do planeta Terra.

A água cobre 75% do planeta, em rios, mares, corre recôndita nas rochas e se esconde no subsolo. Curiosamente, nessa mesma proporção circula no organismo humano. No Brasil, estão 12% de toda a água doce superficial que existe em todo o mundo. Uma riqueza indispensável para a vida, que inspira culturas, ritos religiosos, lendas e canções.

De toda a água que circula no planeta, apenas 2,5% é doce e se distribui em geleiras, nas calotas polares e montanhas eternamente cobertas (69%), no subsolo (30%), em rios e lagos (0,3%). Uma parte também significativa se encontra em lugares como umidade do solo, placas de gelo flutuantes, pântanos e em solos que ficam permanentemente congelados (0,9%). Mas o que prepondera é a salgada, que chega a 97,5% da Terra.

No Brasil, das águas que se encontram na superfície, 68% estão na região Norte (que representa 45,3% do território nacional, onde vivem 6,98% da população brasileira), 3,3% estão no Nordeste (18,3% do território e 28,91% da população), 15,7% estão no Centro-Oeste (18,8% do território e 6,41% da população), 6% estão no Sudeste (10,8% do território e 42,65% da população) e outros 6,5% estão na região Sul (6,8% do território e 15,5% da população).

Os números brasileiros estão no documento disponíveis no "Água: Manual de Uso - Implementando o Plano Nacional de Recursos Hídricos", editado pelo MMA em 2009. O levantamento indica que reservas subterrâneas suprem 51% da água potável consumida no País.

O maior reservatório de água do subsolo das Américas é o Aquífero Guarani, que também é um dos maiores do mundo e abrange Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Com 1,2 milhão de km², cerca de 840 mil km² (71%) estão nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Regiões hidrográficas - O País tem 12 Regiões Hidrográficas. Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico Nordeste Ocidental, Parnaíba, Atlântico Nordeste Oriental, São Francisco, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Paraná, Paraguai, Uruguai, Atlântico Sul. Veja como se caracterizam algumas das principais:

Amazônica - É a maior de todo o globo terrestre. Ocupa cerca de 7 milhões de km² desde a sua nascente nos Andes peruanos até a foz no Oceano Atlântico, com 64,88% em território nacional. É composta também por Colômbia (16,14%), Bolívia (15,61%), Equador (2,31%), Guiana (1,35%), Peru (0,60) e Venezuela (0,11%). Cerca de 7,8 milhões de habitantes, com 200 etnias indígenas a ocupam, em sete estados, Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso.

Tocantins/Araguaia - Localiza-se em região de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, com aproximadamente 922 mil km² e 7,2 milhões de habitantes. O Tocantins tem 1.960 km, nasce no Planalto Central, em Goiás. Seu principal tributário, o Araguaia, tem 2.600 km, onde se encontra a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo.

São Francisco - Com cerca de 12,8 milhões de habitantes, tem diferentes biomas, como Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, ecossistemas costeiros e insulares. O Cerrado cobra praticamente a metade de sua área, ocorrendo desde Minas Gerais até o sul e o oeste da Bahia, enquanto a Caatinga predomina no nordeste do estado.

Paraná - Abrange área da cidade mais populosa da América do Sul, São Paulo, com 10,9 milhões de habitantes, além de outros grandes centros urbanos, perfazendo um total de 54,6 milhões de habitantes ou 32% da população brasileira. É a região que apresenta a maior diversidade de conflitos entre usuários de recursos hídricos.

Água e clima- O planeta celebra o Dia Mundial da Água preocupado com o efeito que as mudanças no clima, provocadas pelas atividades humanas, podem desencadear no ciclo das águas. Debatido na 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental (CNSA), promovida pelos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, no final de 2009, o tema Água e Clima alertou para os perigos provenientes da emissão de gás carbônico e outros gases de efeito estufa na atmosfera, responsáveis por consequências como o agravamento das secas, o aparecimento de furacões e enchentes.

Em 2010, a temática também foi discutiva na 1ª Pré-Conferência Nacional de Águas (Pré-Conaguas) e integrou o processo de revisão do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).
A conferência debateu também a questão do saneamento ambiental que contempla entre seus aspectos a questão do abastecimento de água, a coleta e tratamento de esgotos, o controle de doenças, os resíduos sólidos e a drenagem. Documento divulgado durante a conferência, alerta que a má qualidade das águas multiplica os riscos como a de doenças de veiculação hídrica e a balneabilidade de praias, com riscos relevantes para a saúde pública.

Além da questão da saúde foi levantado problema da poluição dos mananciais, que onera o custo do tratamento da água. A proteção dos abastecimento de água envolve ações como o controle de agrotóxico, a reposição de matas ciliares e de topo de morros e a eliminação de atividades poluidoras.

O documento debatido dentro da 1ª CNSA alerta que ao longo dos anos, os recursos hídricos em áreas urbanas vêm sofrendo intervenções variadas que os poluem e afetam o sistema de drenagem, abastecimento e esgoto. "A ação humana degrada a água, ao lançar substâncias que a poluem, conferindo-lhe cor, tornando-a turva e menos transparente. A água suja ou contaminada por coliformes, nutrientes como o nitrogênio, fósforo e outras substâncias prejudica a saúde, a qualidade de vida e o ambiente", diz o texto.

O investimento na despoluição de bacias hidrográficas é apontado como um dos fatores preponderantes para a melhoria da qualidade das águas. São enumerados ainda investimentos no monitoramento da qualidade das águas, em programas relacionados à prevenção de cheias e também em programas como de educação ambiental, sanitária e educação para a saúde.

Vulnerabilidade urbana - Uma das principais fontes de vulnerabilidade urbana, a questão da drenagem tem preocupado especialistas devido à sua gestão inadequada, o que traz como consequências o comprometimento das fontes de abastecimento pela contaminação dos mananciais superficiais e subterrâneos, erosão e produção de sólidos, inundações urbanas e um ciclo de contaminação.

Pela Lei do Saneamento (nº 11.445/2007), que define as diretrizes do saneamento básico, a gestão das águas pluviais é uma atribuição dos municípios. Essa gestão, no entanto, vem sendo feita de forma inadequada devido principalmente à fragmentação das responsabilidades, à falta de planejamento e à gestão por trechos e não por bacias.

A correta gestão das águas urbanas está intrinsecamente ligada ao uso correto do solo, que deveria se pautar pelos planos diretores. O que se constata na maioria das cidades é a proliferação de assentamentos informais e sem obediência aos planos diretores, a alta densidade de ocupação no espaço, a ocupação de áreas de risco e a urbanização sem infraestrutura sustentável resultando em impacto sobre a própria população. Essa prática continuada, leva, entre outras consequências, ao desaparecimento dos rios urbanos, pois a pressão e exploração do espaço pressionam para que os rios sejam cobertos ou desapareçam.

As boas práticas no manejo das águas pluviais têm por base princípios modernos e sustentáveis que levam em consideração a preservação dos mecanismos naturais de escoamento na implementação urbana, a visão de gestão da bacia hidrográfica e o tratamento do esgoto sanitário e da qualidade das águas pluviais. A gestão integrada, entendida como interdisciplinar e intersetorial dos componentes das águas urbanas, é uma condição necessária para que os resultados atendam as condições do desenvolvimento sustentável urbano.

Planejamento dos Recursos Hídricos - O lançamento de esgotos sem tratamento nos rios, o manejo inadequado de águas pluviais, a disposição inadequada de resíduos, a impermeabilização do solo, são partes da problemática da água no Brasil e decorrem, principalmente, da falta de planejamento.

A Lei das Águas estabelece o planejamento articulado dos recursos hídricos em âmbito nacional, estadual e das bacias hidrográficas como um des seus principais instrumentos. Neste sentido, o Brasil tornou-se o primeiro País das américas a elaborar o seus Plano Nacional de Recursos Hídricos.

A primeira revisão do PNRH foi iniciada em 2010 nas 12 regiões hidrográficas brasileiras, que apontaram ações a serem priorizadas no período de 2012 a 2015. O processo de revisão do plano prossegue em 2011 no âmbito de deliberação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), co apoio da Câmara Técnica do PNRH.

Recuperação das bacias hidrográficas - Dentro do Ministério do Meio Ambiente, a recuperação e preservação das bacias hidrográficas do Alto Paraguai e da Bacia do São Francisco estão entre as principais atividades desenvolvidas pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SHRU) no programa intersetorial voltado ao uso e conservação de recursos hídricos. Na bacia do Alto Paraguai, a prioridade é a revitalização de sete sub-bacias, entre elas, a do rio Taquari, ação considerada de vital importância a recuperação da bacia do Alto Paraguai.

Uma iniciativa que vem sendo implementada no local é a instalação de uma rede de viveiros para a produção de mudas. A elaboração do macrozoneamento das Áreas de Preservação Ambiental (APA) das nascentes do rio Paraguai junto com a sensibilização e mobilização da comunidade local, com o objetivo de promover a educação ambiental são ações adicionais que fazem parte do processo de recuperação daquela bacia.

No processo de recuperação da Bacia do São Francisco, também vem sendo desenvolvidas ações de conservação, recuperação e manejo do solo e da água em microbacias, com ações de recuperação de áreas degradadas na APA das nascentes, levantamento florístico, implantação de viveiros, plantio de mudas e monitoramento da água.

Para este projeto, a SHRU está investindo na instalação de um Centro de Referência Integrado. Ele será responsável por articular inter e intrainstitucionalmente as atividades de pesquisa e estudos sobre o Rio São Francisco. No local estão sendo promovidos cursos de capacitação para gestores, produtores e técnicos que atuam na região e ações de educação ambiental que garantam o princípio da transversalidade entre as ações do Governo Federal.

Uma novidade no processo de recuperação da bacia é a implementação de um sistema de monitoramento ambiental que vai quantificar em quilômetros quadrados o desmatamento e gerar polígonos de indicativos de desmatamento recentes.

Dentro do Programa de Revitalização de Bacias Hidrográficas em Situação de Vulnerabilidade e Degradação Ambiental, o MMA promoveu a abertura de Chamada Pública para seleção de Práticas Inovadoras em Revitalização de Bacias Hidrográficas. O objetivo foi o de constituir uma base de dados com experiências práticas, inovadoras e eficientes, que contribuam para a revitalização de bacias hidrográficas e que servirão de modelo para outras regiões do País.

Responderam à Chamada municípios brasileiros, instituições públicas e privadas de pesquisa e tecnologia, organizações sem fins lucrativos. Os 26 participantes selecionados relataram experiências nas áreas de Educação Ambiental; Conservação e Recuperação de solos; Água e Biodiversidade; e Turismo e Agricultura Sustentável.

ZEE - O Programa de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) possui importante papel no Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. O ZEE da Bacia do São Francisco tem por objetivo implantar um sistema integrado de informações georreferenciadas e um banco de dados da Bacia, ampliando as atividades de monitoramento e fiscalização ambiental e estimulando a implementação de instrumentos de ordenamento territorial.

O ZEE da Bacia do São Francisco deverá se integrar aos projetos do Programa ZEE para a região Nordeste, especialmente com o do Bioma Caatinga, além dos demais programas e ações governamentais desenvolvidos na área da bacia.

Parques fluviais - Dez municípios integrantes da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco já vêm sendo beneficiados com ações que fazem parte do Projeto Parque Fluvial, lançado em 2009, e que tem por objetivo conservar e preservar bacias hidrográficas no âmbito do Programa de Revitalização de Bacias Hidrográficas em Situação de Vulnerabilidade e Degradação Ambiental.

O projeto tem por objetivo incentivar a percepção comunitária da situação em que se encontram os rios com os quais a população se relaciona cotidianamente a partir do incentivo ao ecoturismo, à educação ambiental, à cultura, ao lazer, ao esporte e à proteção da biodiversidade.

O que se pretende é contribuir para o aumento da quantidade e qualidade de água na área de intervenção; o fortalecimento dos corredores verdes, a restauração da biodiversidade e a defensa do clima, evitando a degradação dos rios e dando continuidade, sustentabilidade e visibilidade às ações desenvolvidas pelo projeto. As atividades desenvolvidas em um determinado trecho do rio, localizado no município, devem se tornar modelo facilmente adaptável e/ou replicável em outras áreas. A finalidade é que a população faça usos nobres dos rios como atividades de recreação, lazer, esporte e contemplação.

Os municípios que fazem parte do projeto são: Pirapora (MG), Bom Jesus da Lapa (BA), Barreiras (BA), Xique-Xique (BA), Piranhas (AL), Propriá (SE), Januária (MG), Juazeiro/Petrolina (BA/PE) e Penedo (AL).


Água Doce - Para tentar resolver o problema de acesso à água de qualidade, o MMA vem implementando programas regionais. Um deles é o Programa Água Doce (PAD). Desde que foi lançado, em 2004, o PAD já beneficiou mais de 96 mil pessoas, de 68 localidades de sete estados do semiárido brasileiro. Até o momento, foram investidos cerca de R$ 7,2 milhões em parcerias com empresas e instituições como a Petrobras, Fundação Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e recursos próprios do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Carente de recursos hídricos, o Nordeste tem no programa Água Doce uma alternativa para a obtenção de água potável e para o desenvolvimento de atividades de cultura de peixes.

O Programa Água Doce é uma ação do Governo Federal, coordenada pelo MMA, e está presente em 11 núcleos estaduais, tendo capacitado mais de 500 técnicos nos estados onde está presente. O programa tem por objetivo o estabelecimento de uma política pública permanente de acesso à água de boa qualidade para o consumo humano. Para tanto, promove e disciplina a implantação, a recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental para o atendimento prioritário às populações de baixa renda que residem em localidades rurais difusas do semiárido brasileiro.

Além da garantia do abastecimento de água no semiárido, no momento, estão sendo desenvolvidas pesquisas na área de nutrição animal, piscicultura e cultivo da erva sal visando o aperfeiçoamento e otimização dos sistemas produtivos. Fazem parte do semiárido os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais.

O Água Doce é considerado uma medida de adaptação e mitigação dos possíveis efeitos das mudanças climáticas. Estudos indicam que a variabilidade climática na região poderá aumentar, acentuando a ocorrência de eventos extremos como estiagens mais severas e também cheias, afetando a disponibilidade hídrica na região afetada.

Águas subterrâneas - Ainda é considerado pequeno o nível de conhecimento sobre a quantidade e qualidade das águas subterrâneas no Brasil. Por isso mesmo, a SRHU com parceiros inter e intrainstitucionais, vem incrementando, por meio de estudos e pesquisas, o aumento do conhecimento hidrológico e implantando um sistema de monitoramento para este tipo de recurso natural. Estes estudos envolvem pesquisas específicas para um maior conhecimento e o monitoramento dos aquíferos de abrangência transfronteiriça e interestadual. Este conhecimento é fundamental para a criação de mecanismos de gestão integradas destes aquíferos.

Para ampliar os conhecimentos técnicos básicos, desenvolver a base legal e institucional para a correta gestão das águas subterrâneas, o MMA lançou o Programa Nacional de Águas Subterrâneas (PNAS).

O Programa, que faz parte do Plano Nacional de Recursos Hídricos estabelece e orienta a política para a água subterrânea. A água subterrânea é um recursos estratégico principalmente para o consumo humano e um dos principais objetivos da política é o de preservar o recurso natural do ponto de vista econômico, social e ambiental. As águas subterrâneas são de domínio dos estados e o plano traça diretrizes de cooperação entre os entes federados.

Também estão sendo realizados estudos e projetos em escala local com o objetivo de conhecer especialmente os aquíferos localizados em regiões metropolitanas onde a água subterrânea constitui relevante manancial para o abastecimento público.

De acordo com a Associação Brasileira de Água Subterrânea (Abas), a maior parte da água disponível no mundo encontra-se sob a terra. Como exemplo, é citado o caso do estado de São Paulo onde 80% dos municípios são total ou parcialmente abastecidos por águas subterrâneas. O recurso natural atende a uma população de mais de 5,5 milhões de habitantes.

Uma nova e recente descoberta vem ampliar ainda mais o poder brasileiro quando o assunto é disponibilidade de água. Trata-se do Aquífero Amazonas, um reservatório transfronteiriço de água subterrânea, que o Brasil, divide com o Equador, Venezuela, Bolívia, Colômbia, e Peru.

Sua extensão é de quase quatro milhões de quilômetros quadrados (3.950.000) sendo constituído pelas formações dos aquiferos Solimões, Içá e Alter do Chão. Com uma extensão três vezes maior que o aquífero Guarani, o Amazonas é uma conexão hidrogeológica, com grande potencialidade hídrica, mas ainda pouco conhecida.

Segundo dados da Gerência de Apoio ao Sistema de Água Subterrânea do Ministério do Meio Ambiente, a formação Alter do Chão participa no abastecimento das cidades brasileiras de Manaus, Belém, Santarém e da Ilha de Marajó. A utilização do Solimões é principalmente para o abastecimento doméstico, sendo fonte importante para a cidade de Rio Branco, no Acre. A formação Içá abastece a cidade de Caracaraí, no sul de Roraima.

Os estudos até agora realizados atestam que a qualidade química da água do Sistema Aquífero Amazonas é boa. Entretanto vem correndo risco de contaminação devido ao fato de em alguns locais ser raso o nível da água e pelo alto potencial de contaminação provocada por poços mal construídos, ausência/inadequação de proteção sanitária e carência de saneamento básico.

Além do Amazonas e do Guarani, o Brasil possui inúmeros outros sistemas transfronteiriços, todos eles com pouca ou, às vezes, nenhuma informação sobre eles. O mais estudado até o momento é o Aquífero Guarani com uma extensão de mais de um milhão de quilômetros quadrados, que o País divide com a Argentina, Paraguai e Uruguai.

* Com a participação de Rosana Araújo (SRHU)



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