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" Vinde Comigo e Eu farei de vós pescadores de homens "

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

A LUZ DA ESPERANÇA

Suas mãos apertavam fortemente o volante do carro que corria veloz pelas ruas da cidade. Um turbilhão de emoções atormentava-lhe a alma. Não, não podia acreditar! Parecia estar vivendo um pesadelo brutal. Por fim, estacionando numa rua desconhecida e deserta, debruçou-se sobre o volante e chorou com desespero. E foi através daquele véu de lágrimas, que ela visualizou cada momento e detalhe que antecederam a chocante revelação.

- Meu Deus - murmurou entre soluços -, acabei de receber a minha sentença de morte, e de que maneira fui condenada a morrer! Por que Deus deixou que isso acontecesse?! Eu não merecia!

A mágoa sufocava-a. Olhou o céu límpido e azul, as árvores imóveis, a rua quieta e morna daquela tarde de verão. Num gesto mórbido, foi encarando com agressividade cada pessoa que passava, como se culpasse a natureza pelo seu destino. Entre dentes, sua voz soou gutural e desconhecida: "No próximo verão, vocês estarão aqui, mas eu não! Isso não é justo!" Aquietou-se novamente, dominada pelo desespero e pela angústia.

Não sabia dizer ao certo se haviam se passado alguns minutos ou muitas horas. O tempo agora parecia ter uma dimensão diferente, e tornara-se o que realmente é: precioso.

O mundo à sua volta parecia estar revestido de uma roupagem de gala, explodindo em cores e vida. Também seus olhos, nesse instante, viam as coisas com outro enfoque.

"Mas o que vemos é a verdadeira realidade, ou a realidade é fruto somente da nossa mente? O que é realmente a existência?" Nesse breve tempo de mergulho interior, sentiu um rápido alívio, pois afastou aldeia trágica que a dominava.

No dia seguinte ao diagnóstico médico, fora trabalhar em ritmo normal, como se quisesse dar tempo ao tempo. Mesmo porque a vida deveria continuar no seu compasso de sempre. Primeiro decidiu não contar para ninguém o drama que estava vivendo. Depois de 15 dias, porém, ao encontrar o olhar afetuoso e amigo de Marconi, que reparara sua palidez e lhe perguntou se ela se sentia bem, não conseguiu esconder a verdade.

- Marconi, eu vou morrer!

Marconi tentou ser brincalhão:

- Mas todos nós morreremos, Rosália. Nós começamos a morrer a partir do nascimento. Essa é a condição humana.

A moça agarrou-o pelo braço e sacudiu-o, mostrando seu nervosismo.

Só então Marconi percebeu a situação e, arrependido da brincadeira, fitou-a preocupado. Acariciou-lhe a mão, ainda presa em seu braço:

- Venha, Rosália, vamos conversar em minha sala.

A poucos passos dali estava a sala que Marconi ocupava sozinho como chefe de publicidade daquela grande agência.

Ela estava tremula. Parecia que as pernas não podiam sustentar-lhe o corpo. Mas, antes mesmo de sentar-se, murmurou, aflita e incrédula:

- Estou com leucemia, Marconi... - não teve forças para continuar, e abraçou-o com força, como se quisesse ar rancar dele a vitalidade que ela estava perdendo.

Marconi engoliu em seco antes de articular qualquer palavra. O máximo que tinha imaginado momentos antes era que a jovem amiga, de 25 anos, tivera uma forte decepção amorosa. Tentou concatenar rapidamente os pensamentos, mas o que conseguiu dizer, olhando os bonitos olhos castanhos da moça, foi uma pergunta perplexa:

- Que médico disse isto?

- Foi o doutor Estêvão, e ele consultou também sua equipe. Não há meio de fugir da realidade. Tenho poucos meses de vida, Marconi.

- Você não pode se desesperar, Rosália. Existem tratamentos adequados e muitos casos de cura - respondeu com segurança.

- Eu sei, Marconi, mas os médicos dizem que no meu caso... - escondeu o rosto bonito nas mãos em leque, e não pôde continuar.

O rapaz estendeu a mão na intenção de acariciá-la e consolá-la, mas interrompeu seu gesto no ar, pois sentiu que ela ia interpretá-lo como uma expressão de compaixão e pesar. Mesmo assim, disse, com voz convicta, como se desejasse convencer também a si mesmo:

- Você vai conseguir curar-se, não se desespere. Faça tudo que for necessário para isso. Eu e todos os seus amigos a amamos muito. Sei que não tem parentes próximos, mas estaremos sempre com você, no que precisar.

- Eu sei, Marconi. Obrigada! E em último caso... - interrompeu-se e, com voz melancólica e irónica, continuou:

- É, em última hipótese, posso ainda contar com um milagre!

Ergueu-se de repente e saiu rápido, esquivando-se do amigo, que corria atrás dela ao longo do corredor, chamando-a.

Só parou quando ela, voltando-se, disse com voz calma:

- Por favor, deixe-me só. Eu preciso ficar sozinha agora.

Mas não permaneceu ali. Saiu, entrou no carro e seguiu sem rumo. Sem se aperceber, depois de alguns quilômetros rodados, tomara uma estradinha de terra. A tarde morria. Um crepúsculo estonteante festejava o céu e a vida. Diante daquela explosão de exuberância, ela sentiu-se demasiadamente pequena e débil. Sem saber onde estava, subiu os degraus de pedra da pequena escadaria.

O ambiente parecia-lhe familiar. Entreaberta na sua frente estava uma alta porta feita de carvalho maciço. Uma réstia de luz inundava o ambiente silencioso, e os derradeiros raios de sol ainda brincavam nos vitrais coloridos. Fitou a toalha branquíssima de linho bordado que cobria a mesa tosca, e a chama da candeia de azeite que tremulava. Uma luz parecia inundar aquele ambiente penumbroso e sereno. E ela se sentiu invadida por uma profunda emoção.

- Meu Deus! - estacou perplexa -Esta é a capela de minha infância!

De fato, na ânsia de fugir, dirigira-se para a cidadezinha em que nascera, que ficava perto da cidade grande, onde agora vivia. Caminhou até o altar e deixou-se cair de joelhos no chão frio de mármore. Inesperadamente balbuciou:

- Senhor, meu Deus, és o dono da vida. Eu não quero morrer! Salva-me!

Um silêncio de paz a invadiu. Ela ficou ali, quieta, como se enfim encontrasse abrigo contra toda e qualquer tempestade. Chorou baixinho, experimentando uma alegria já esquecida - a alegria da fé, da entrega. Em tom suplicante, pediu perdão por haver vivido tanto tempo longe de Deus. E, revigorada, murmurou:

- Não temo enfrentar a minha doença, sei que estarás comigo em todos os instantes...

Há quanto tempo não entrava numa igreja! Constatou que desde os 10 anos, quando mudara para a capital e mergulhara em preocupações estudantis, depois profissionais, entremeadas por distrações áridas e mudanças, deixara de fazer isso. Deus fora banido de sua existência. O sucesso e o prestígio tornaram-na vaidosa e voltada para o seu mundo. Diante de si, sentia-se humanamente segura, adorando-se no altar de suas realizações. Mesmo sentindo-se humilhada por constatar isso. exclamou:

- Deus, eu não mereço ser curada. Mas gostaria muito que isso aconte cesse. Seria para mim um grande presente da sua misericórdia.

Ergueu-se e sentiu que tudo girava à sua volta. Compreendeu que essa tontura era a manifestação da doença, que evoluía. Ainda teve tempo de ver algumas pessoas se aproximando.

Acordou e estava deitada em uma cama que não era a sua, mas o rosto que estava ali a seu lado era-lhe familiar: dona Ernestina, a velha amiga de sua mãe, que lhe falava mansamente:

- Rosália, minha menina! Não se preocupe, está tudo bem, procure descansar. O médico precisou tirar uma amostra do seu sangue.

Antes que a amiga terminasse de falar, um jovem sorridente aproximou-se - era o médico. Rosália encarou-o nos olhos.

- Estou preparada, doutor, sei de toda a verdade.

A sua própria segurança espantou-a. Não sentia mais medo, apesar de saber da gravidade da sua situação.

O médico aproximou-se e falou em tom paternal, como se não tivesse entendido as suas palavras.

- Você está com saúde, menina, mas precisa se alimentar corretamente. Se estiver fazendo algum regime, interrompa-o.

Você não precisa disso! A cabeça cabisbaixa fez com que seus cabelos sedosos e negros cobrissem o seu rosto, escondendo suas lágrimas. Compreendera tudo! Na manhã seguinte, uma jovem de semblante tranquilo entregou nas mãos do perplexo doutor Estêvão o exame feito depois que ela desmaiara na igreja. Pediu que ele a mandasse fazer outro exame. Comovido, mas incrédulo, ele ouviu o relato do que aconteceu com ela na casa de Deus. Ficou ainda mais espantado quando ela disse:

- Sabe, doutor Estêvão, eu agora encontrei outra fonte de vida!

Fez uma pausa. Seu semblante brilhava, iluminado por uma luz invisível, que vinha do mais profundo interior do ser. Tocou o braço do médico, como se quisesse transmitir-lhe toda a alegria de sua descoberta:

- Agora, independente do meu próximo diagnóstico, eu sei que jamais morrerei, nem estarei só.

Essas palavras eram uma confirmação para si mesma, pois às vezes só um fato sobrenatural pode nos dar a certeza de nossas convicções ou a certeza de um milagre!


Autora: MARIA IVONE M. DE OLIVEIRA
Mensagem extraída da Revista Família Cristã

A vitória do amor nunca termina

A água que brota na fonte silenciosa dá seu grito de dor, ao escorrer nas escarpas rochosas que, sem piedade, a ferem, sem escrúpulo e sem sentimento.

Até parece o grito do homem que, ferido na vida pela maldade de outros, é surdo, calado, passivo... Silencioso foi levado ao martírio o Filho do Homem, como a água da fonte, mas Ele, calado por amor, por salvação, por redenção: "Pai, perdoa-lhes!".

Há no mundo os que gritam por seus direitos, muitos não sabem respeitar o direito dos outros. Ele deu o "direito de o ferirem" e concedeu o "direito" de salvação. Interessante! Ainda encontrar quem não acredita n'Ele.

Se assim é, isso é pura arrogância! Coisa terrível é a arrogância! Mas como se iludem os homens, foi ouvido um grito de uma mulher, a primeira que nos sentimentos e na ternura femininos foi logo cedinho, bem lá na fonte, para matar sua sede de saudade. Surpresa, a tumba estava vazia! Correu sem medida para levar essa notícia. Outros quiseram vir e ver, e não se lembraram de sua Palavra: "Vinde e vede!" E a alma deles se encheu de espanto: "Ele não está aqui. Ressuscitou!".

Foram despertados pela saudade, que faz a gente correr outra vez ao encontro da fonte, onde renasce o desejo do amor e o desejo da volta.

Não seria tudo isso sacramento para nós? A mulher é sacramento da ternura de Deus - às vezes temos medo ou não sabemos dizer da ternura de Deus. Somos racionais demais e, se fugimos da lógica, as coisas parecem erradas.

O povo traz na vida sua paixão, sua dor, sua morte. A fonte que jorra sem medo a água que vem do seio da terra é como a fonte de eterno amor, silenciosa, calada, ressuscitada. Ele falou das crianças, dos pássaros, da beleza dos campos e dos lírios, da singeleza e da pureza do coração...

O seu grito foi de amor: "amai-vos uns aos outros", expulsando para longe o desejo do poder como norma de vida. O seu grito foi de silêncio e de misericórdia. Quem não se entusiasma nem vibra com a ressurreição é bom rever seus conceitos de fé. Cada palavra d'Ele é oração, mesmo que tenha sido apenas balbuciada... A vitória dos loucos dura pouco, a do amor não termina nunca!



Seja sempre honesto


Para que o filho único pudesse estudar, certo pai precisou trabalhar com afinco por longos anos. Concluindo o segundo grau, o jovem rumou para um grande centro, onde depois de aprovado nos exames vestibulares iniciou o curso de ciências econômicas. O moço cuidava para não ser demasiadamente pesado para o velho pai. Assim, durante os anos vividos longe do lar, esteve sempre atento aos conselhos do pai: agir com respeito, decência e honestidade. Os anos passaram e o jovem finalmente concluiu, com brilhantismo e distinção, o seu curso. Agora já formado, arrumou as malas e feliz retornou para junto dos pais, cheio de reconhecimento e gratidão. Uma conceituada firma comercial o contratou logo para trabalhar na empresa. Sentiu-se feliz e compensado, vendo nesse primeiro emprego também a possibilidade de devolver aos pais, especialmente, ao menos uma parcela do muito que lhe fizeram ao longo dos anos de preparo. No seu segundo mês de trabalho, certa tarde, o gerente ordenou que ele efetivasse os lançamentos contábeis de tal forma que a empresa escapasse ao pagamento de um pesado imposto que, por certo, abalaria em muito o seu superávit. Prometeu-lhe ótima recompensa, argumentando, para justificar os termos do arranjo: --Estamos lhe prometendo essa respeitável gratificação, porque sabemos das suas lutas e dificuldades... --De fato, por várias razões, eu tenho mesmo necessidade de ganhar um pouco mais--disse o moço--porém, não dessa forma. E se por esta minha convicção tiver de deixar o emprego, deixarei. E não me leve a mal, amigo, mas recuso-me, terminantemente, a realizar o que me pede. Desapontado, o gerente retirou-se; mas em pouco mais de meia hora estava de volta para dizer ao rapaz: --Levei sua palavra final ao presidente e ele lhe pede comparecer com a máxima urgência ao seu gabinete. A essa altura dos acontecimentos o rapaz saiu resoluto. de cabeça erguida, mas interiormente já contava estar demitido. Contudo, dessa vez enganou-se, porque ao se apresentar diante do presidente foi calorosamente cumprimentado e informado de que acabava de ser promovido a uma função mais importante e sobremaneira mais compensadora, exatamente por haver resistido à provação.


Roberto Carneiro

terça-feira, 12 de abril de 2011

A vidraça e os lençóis


Um casal, recém-casado, mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:

- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

O marido a tudo escutava, calado.

Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:

- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passado um mês, a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e, toda empolgada, foi dizer ao marido:

- Veja, ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha a ensinou? Porque eu não fiz nada!

O marido calmamente respondeu:

- Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!


Moral

E assim é. Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos. Antes de condenar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; depois, verifique seus próprios defeitos e limitações. E, se necessitar, não se acanhe: lave sua vidraça. Você jamais será o único a ter de fazê-lo...


Mensagem enviada por: Giselle - Grupo Ação Jovem



Catequista incondicional


Se há uma coisa que me entristece na nossa Igreja é ver pessoas colocando condições para o serviço à Deus. São coisas como “eu só vou participar se fizer tal coisa”, “eu só fico na catequese se eu ficar com fulano”, “eu só dou catequese se for com tal turma”. Essas coisas me entristecem e me revoltam porque essas pessoas não têm nenhuma noção do amor de Deus para nós. Por isso vai aqui mais do que uma reflexão, vai um desabafo...

Caríssimos, entendamos o seguinte: Deus nunca pediu, não pede e nunca pedirá nada em troca do amor que Ele nos dá. Ele não se preocupa nem se você o ama de verdade, Ele ama incondicionalmente qualquer criatura que ele tenha criado, principalmente o ser humano. Criou tudo na terra para o homem, aí o que o homem faz? O homem nega à Deus, desobedece, peca, cai no pecado e sai de presença de Deus. Aí então vive errante buscando preencher o vazio que ficou em seu coração depois que Deus saiu de sua vida. Deus então resgata o homem se fazendo humano para ensiná-lo a ser divino e nos dá como herança a Igreja por meio do Espírito Santo para ser vivida em comunidade. Nos chama para o serviço, nos mostra que o caminho para o céu passa pelo serviço ao reino e aí o que homem faz de novo? Começa a se perder achando que é a figura central da evangelização, acreditando que é condição “sine qua non” para tudo.

Nós não podemos achar “que sem mim, nada podeis fazer”. Isso é uma blasfêmia das grandes que muitas pessoas cometem. O problema é que é comum, observe que quando as pessoas fazem promessa, parecem estar negociando com Deus algo que Ele precise com algo que você precise e agora é hora de fazer uma troca. Perceba ainda que você está em vantagem na negociação, porque Deus sempre tem que cumprir a parte dele primeiro, pra depois você cumprir a sua. Isso é absurdo, estamos nos colocando numa posição que não é nossa de direito.

Deus não atenderá os nossos pedidos por meio de promessas, Ele não se alegrará conosco quando nos vangloriamos por nós mesmos. Deus nos atenderá a medida que merecemos e que temos maturidade espiritual para receber. Deus se alegra quando nos gloriamos nos Senhor (Cf. 1 Cor 1,31) e só temos a importância que temos porque Deus “QUER” precisar de nós. Quem somos nós para acharmos que Deus precisa de nós para ser deus. Ele é Deus porque é Deus e não depende de nós para isso. É muita presunção, prepotência e egoísmo nosso achar que Deus precise de mim ou de você pra alguma coisa.
É absurdo colocar obstáculos entre nós e Deus por meio de condições, parecendo criança mimada que bate o pé e só faz o que o pai pede depois que ganha um doce. Quem faz isso ainda não entendeu o processo da Graça, não entendeu o Projeto Divino e não sabe imitar Jesus.

Nós estamos aqui para nos pôr em serviço, seja qual for, desde limpar o chão até estar ao lado do sacerdote no altar. E nenhum serviço é mais ou menos importante, todos nós formamos o corpo que se une com a cabeça que é Cristo. Agora, como o próprio São Paulo dizia, se a perna quiser ser braço, porque não acha digno ser perna, ou se o braço quer ser pescoço, para estar mais próximo da cabeça ou coisas parecida, nós nunca seremos um corpo perfeito.

Então caríssimos, se coloque à disposição naquilo que Deus te chama e não coloque condições para esse serviço. Seja incondicional e lembre-se: “Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17,10)

Pense nisso!

Por: FERNANDO LOPES
Arquidiocese de Cuiabá - MT
Coord.Pastoral da Catequese / Ministro Extraordinário da Palavra de Deus / Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística
Email: fernandocatequese@terra.com.br


A banalização dos Sacramentos


Quero expor toda minha tristeza e agonia que sinto a cada dia, quando observo que os sacramentos de Jesus se perdem no coração dos homens e da própria Igreja.

Vou dizer algumas coisas sérias e talvez impactantes para alguns, mas estarei dizendo o que sinto e percebo com o dia-dia dos nossos sacramentos. E tenho certeza que o que vejo não é exclusividade dos meus olhos.

Durante todos esses anos de catequista, observo cada dia mais a banalização descarada dos Sacramentos Cristãos. É um absurdo a forma que as pessoas encaram os Sacramentos, sem nenhum respeito, sem nenhum apresso, sem nenhuma sacralidade da qual deveria existir.

E não é por falta de conhecimento, porque muitos conhecem e entendem os Sacramentos, mas mesmo assim o desrespeitam. Vamos pontuar cada um deles:

O Sacramento do Batismo é tratado mais como uma superstição do que um sacramento. Eu já ouvi dizer que “batizar é bom porque ajuda cair o umbigo da criança”. Sem contar as famílias que sem nenhum conhecimento convida padrinhos que são de outra religião para batizar seus filhos. É inadmissível coisas desse gênero, devemos entender também que é culpa da própria Igreja, culpa do Povo de Deus, de nós catequistas. O que nós estamos fazendo que não conseguimos explicar verdadeiramente o valor de um sacramento essencial para vida cristã? Por que os padres não tiram um pouquinho do tempo da homilia para expor essas questões? Por que concordamos com coisas dessa natureza? Isso é algo que devemos refletir e agir de forma firme.

O Sacramento da Crisma é algo que durante muito tempo pareceu ser “facultativo”. Pois assim me disseram logo depois que fiz a primeira comunhão: “Ah, você faz crisma se quiser, se não quiser não precisa”. E nós sabemos que isso não é verdade. Nós entendemos e sabemos da importância do sacramento do Espírito Santo. E mais uma vez nos calamos, como se concordássemos com essa ideia. As pessoas só procuram a Crisma quando se vêem às vésperas de seu casamento porque a Igreja exigiu a crisma para casar. Aí é aquele corre-corre, aquele desespero para fazer catequese, quanto tempo demora, não dá pra fazer mais rápido, e assim vai se levando um sacramento de Deus “nas cochas”.

O Sacramento da Penitência é outro paradigma que existe dentro da Sociedade. Confessar-se é para beatas, pessoa normal não precisa confessar. Pra quê? Padre come arroz e feijão como eu, não preciso contar meus pecados pra ele. E assim se joga no lixo mais um presente que Deus nos deu. E digo mais, muita gente, mas muita gente dentro da Igreja pensa do mesmo jeito. Não fala, mas pensa. Ficamos com vergonha, não queremos nos expor, temos medo de que o padre conte para alguém e por isso protelamos, esperamos mais um tempo e deixamos de lado, enquanto isso nossa espiritualidade morre e o meu SER de catequistas, o meu SER de cristã também. Eu pergunto para você meu irmão catequista, há quanto tempo VOCÊ não se confessa?

O Sacramento da Unção é o mais esquecido por todos. Se perguntarem para um grupo de pessoas quais são os sete sacramentos, a maioria irá esquecer do sacramento da unção. E por que se esquecerão desse sacramento? Porque ele é esquecido por nós católicos. Porque muita gente entende e ensina que esse sacramento é só para a hora da morte, por isso também é conhecido como “extrema unção”. E isso é um erro grave porque o sacramento da Unção também é um sacramento de Cura, assim como o da Penitência, nós devemos encara-lo como um remédio espiritual. Man enquanto isso, nós vivemos doentes espiritualmente por aí e tentamos buscar solução em tantos lugares e não percebemos que a nossa cura está tão clara e viva neste sacramento.

O Sacramento do Matrimônio para mim é o segundo da lista dos mais banalizados pelo mundo. Se casa e se descasa numa facilidade e velocidade impressionante. Vemos na televisão, nos jornais, nas revistas, artistas trocando de parceiros, fazendo grandes celebrações de casamento, coisa linda, mas não há sacralidade nenhuma nessas uniões. É somente um grande “evento social”. Isso faz com que todos façam o mesmo e cada vez mais se casa nas Igrejas e cada vez mais se descasa nos tribunais e por quê? Porque os casais de hoje em dia não entendem o presente que Jesus nos dá por meio desse Sacramento. Não entendem a importância que tem o sacramento da família. E que a família é base para todo ser humano. E toda vez que se desfaz uma família é vitória do diabo que une todas as suas forças para acabar com a Graça na vida do homem. E assim o ser humano sem referência de família cresce perdido, sem referências e aí se torna alvo fácil para ser vítima do inimigo que usa pessoas como estas para ser instrumento de desgraça para si e para os outros, haja vista o que vimos esses dias no RJ. Isso é falta de família!

E então vem o sacramento mais banalizado de todos, segundo a minha opinião, o Sacramento da Eucaristia. O mais banalizado em quantidade e em gravidade, por quê? Porque os primeiros a banalizar a Eucaristia somos nós, católicos, leigos, catequistas, que não nos damos conta da relevância espiritual que esse sacramento tem para nossas vidas. Nós precisamos entender que banalizar este sacramento é banalizar o próprio Cristo.

Quantas vezes você já comungou em pecado mortal? Quantas vezes você comungou sem sentir preparado para isso? Quantos catequizandos ao fim do ano você viu comungando, mas você sabia que eles não estavam preparados para tal? Quantos padres cometem erros litúrgicos gravíssimos banalizando a Eucaristia.

Por exemplo, eu já vi padre fazer a consagração do pão e do vinho em uma celebração de casamento sem missa. Eu, quando acólito, já estive ao lado de padre bêbado celebrando a eucaristia.

Mas é importante deixar claro para quem não sabe, que ensina a Sagrada Teologia Cristã que os méritos do padre, ou seja, independente se o padre pecou antes da celebração, se está bêbado ou não, etc., o efeito do sacramento continua o mesmo. Pois os efeitos de todos os sacramentos valem a partir da ação celebrativa realizada na vida da pessoa que recebe. E a única diferença que vai haver entre a Eucaristia da minha igreja e da sua é a dedicação, o carinho e a sacralidade do padre em relação a Eucaristia.

Mas deixemos o padre e pensemos em nós, pensemos na nossa relação com os sacramentos. Como estamos vivendo os sacramentos? Consigo enxergar Jesus neles, tenho usufruído com responsabilidade e amor os sete grandes presentes que Jesus nos deu por meio da Sua Igreja?

Pense nisso!


Por: FERNANDO LOPES
Arquidiocese de Cuiabá - MT
Coord.Pastoral da Catequese / Ministro Extraordinário da Palavra de Deus / Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística
Email: fernandocatequese@terra.com.br


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Perdoar


Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Suas notas e o comportamento eram uma decepção para seus pais que sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido.

Um belo dia, o bom pai lhe propos um acordo: Se você, meu filho, mudar o comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no vestibular para a Faculdade lhe darei então um carro de presente.

Por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversão sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel. Isso era mau.

O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim, o grande dia chegou. Fora aprovado pra o curso que almejava. Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração.

O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel. Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro. O rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa, o presente era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.

A partir daquele dia, o silêncio e distância separavam pai e filho. O jovem se sentia traído, e agora, lutava por ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da Universidade. Raramente mandava notícias à família.

O tempo passou, ele se formou, conseguiu um emprego em um bom hospital e se esqueceu completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia o velho, muito triste com a situação,adoeceu e não resistiu. Faleceu.

No enterro, a mãe falou-lhe da Bíblia que tinha sido o último presente do pai. Devolta à sua casa, o rapaz, que nunca perdoara o pai, quando finalmente abriu o livro, notou que havia um envelope dentro dele. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia:

-- " Meu querido filho, sei o quanto você deseja ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para você, escolha aquele que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: A Bíblia Sagrada! Nela aprenderás o Amor de Deus e a fazer o bem, não pelo prazer de recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência."


Corroído de remorso, o filho caiu em profundo pranto. Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isto leva a erros terríveis e a um fim ainda pior. Antes que seja tarde, perdoe aquele a quem você pensa ter lhe feito mal. Talvez se olhar com cuidado, vai ver que há também um cheque escondido em todas as adversidades da vida.


Mensagem enviada por: Fernanda - Piracicaba


Recomeçar



"Não importa onde você parou...

Em que momento da vida você cansou...

O que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar.

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...

É renovar as esperanças na vida e, o mais importante...

Acreditar em você de novo.

Sofreu muito neste período?

Foi aprendizado...

Chorou muito?

Foi limpeza da alma...

Ficou com raiva das pessoas?

Foi para perdoá-las um dia.. .

Sentiu-se só por diversas vezes?

É porque fechaste a porta até para os anjos...

Acreditou em tudo que estava perdido?

Era o início de tua melhora...

Onde você quer chegar?

Ir alto...

Sonhe alto...

Queira o melhor do melhor...

Se pensamos pequeno...

Coisas pequenas teremos...

Mas se desejarmos fortemente o melhor e,

principalmente, lutarmos pelo melhor...

O melhor vai se instalar em nossa vida.

Porque sou do tamanho daquilo que vejo,

E não do tamanho da minha altura."


Autor: Paulo Roberto Gaefke
Esta mensagem se encontra no livro: Decidi Ser Feliz
e no CD de Mensagens Toque na Alma
Visite o site do autor: www.meuanjo.com.br


A ponte de madeira


Dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida de trabalho lado a lado. Mas agora tudo havia mudado. O que começou com um pequeno mal entendido, finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta.
- Estou procurando trabalho, disse ele. Talvez você tenha algum serviço para mim.
- Sim, disse o fazendeiro. Claro! Vê aquela fazenda ali, além do riacho? É do meu vizinho. Na realidade do meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá- lo. Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro? Pois use para construir uma cerca bem alta.
- Acho que entendo a situação, disse o carpinteiro. Mostre-me onde estão a pá e os pregos.
O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade. O homem ficou ali cortando, medindo, trabalhando o dia inteiro. Quando o fazendeiro chegou, não acreditou no que viu: em vez de cerca, uma ponte foi construida ali, ligando as duas margens do riacho. Era um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido e falou:
- Você foi atrevido construindo essa ponte depois de tudo que lhe contei.
Mas as surpresas não pararam ai. Ao olhar novamente para a ponte viu o seu irmão se aproximando de braços abertos. Por um instante permaneceu imóvel do seu lado do rio. O irmão mais novo então falou:
- Você realmente foi muito amigo construindo esta ponte mesmo depois do que eu lhe disse. De repente, num só impulso, o irmão mais velho correu na direção do outro e abraçaram-se, chorando no meio da ponte. O carpinteiro que fez o trabalho, partiu com sua caixa de ferramentas.
- Espere, fique conosco! Tenho outros trabalhos para você. E o carpinteiro respondeu:
- Eu adoraria, mas tenho outras pontes a construir...

A esperança

Havia milhões de estrelas no céu. Estrelas de todas as cores: brancas, prateadas, verdes, douradas, vermelhas e azuis. Um dia, elas procuraram Deus e lhe disseram:
- Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra entre os homens.
- Assim será feito, respondeu o Senhor. Conservarei todas vocês pequeninas como são vistas e podem descer para a Terra.
Conta-se que, naquela noite, houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar de correr com os vaga-lumes nos campos; outras se misturaram aos brinquedos das crianças e a terra ficou maravilhosamente iluminada. Porém, passando o tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar para o céu, deixando a Terra escura e triste.
- Por que voltaram? Perguntou Deus, à medida que elas chegavam ao céu.
- Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra. Lá existe muita miséria e violência, muita maldade, muita injustiça...
E o Senhor lhes disse
- Claro! O lugar de vocês é aqui no céu. A Terra é o lugar do transitório, daquilo que passa, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, nada é perfeito. O céu é lugar da perfeição, do imutável, do eterno, onde nada perece.
Depois que chegaram todas as estrelas e conferindo o seu número, Deus falou de novo:
- Mas está faltando uma estrela. Perdeu-se no caminho?

Um anjo que estava perto retrucou:
- Não Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens. Ela descobriu que seu lugar é exatamente onde existe a imperfeição, onde há limite, aonde as coisas não vão bem, onde há luta e dor.

- Mas que estrela é essa? - voltou Deus a perguntar.
- É a Esperança, Senhor. A estrela verde. A única estrela dessa cor.
E quando olharam para a Terra, a estrela não estava só. A Terra estava novamente iluminada porque havia uma estrela verde no coração de cada pessoa.

A Quaresma


A Quaresma faz memória de Cristo, em seus quarenta dias pelo deserto, revivendo, na própria experiência, os quarenta anos do povo de Deus também no deserto. Com Ele, subimos a Jerusalém, percorremos o caminho da cruz, passamos pela morte até chegarmos à nova vida, dom do Pai, pelo Espírito.

A Quaresma é o “tempo favorável” para a redescoberta e o aprofundamento do autêntico discípulo de Cristo. É espaço para um novo nascimento. Somos chamados para assumir a penitência como método de conversão e unificação interior, como caminho pessoal e comunitário de libertação pascal. É tempo forte de escuta da Palavra, pois, através dela, vamos conhecer os desejos de Deus e praticar a sua vontade. A Quaresma é o tempo propício de renovação espiritual, uma espécie de retiro pascal estruturado no trinômio: oração, jejum e esmola (solidariedade, misericórdia).

Segundo Pedro Crisólogo, séc. IV, “o que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe”.

A Quaresma é o tempo propício de nos colocarmos em espírito de penitência. Por isso, com o jejum, a oração e a esmola nós nos configuramos mais intimamente aos mistérios da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Sofrendo um pouco de privação de alimentos e de bebidas neste tempo, saibamos unir-nos de algum modo aos homens para os quais é habitual a privação de alimento, de meios econômicos. O jejum se torna um gesto simbólico, denúncia profética da injustiça que nasce do egoísmo, solidariedade com os mais pobres. Assim, a preparação para a Páscoa se torna “Campanha da Fraternidade”, e a ceia do Senhor um gesto de pobreza, contrição, esperança, anúncio. Quem participa seriamente da paixão do Senhor, ainda hoje viva nos pobres da terra, sabe que a volta ao Pai – tanto a sua como o da comunidade – já começou, e que na mortificação da carne pode florescer o Espírito da ressurreição e da vida.

O jejum e a quaresma é um tempo em que damos maior liberdade a Deus para agir em nós, refreando os desejos instintivos – não só o apetite alimentício – não porem num espírito mesquinho e dualista, mas generoso e repleto de esperança, tratando de acompanhar aquele que se libertou completamente para, em obediência a Deus Pai, se doar por nó todos.

Impondo certas restrições aos nossos impulsos, abrimos maior espaço para Deus e seus filhos, que procuram um lugarzinho em nós! Mortificação, então, não significa gosto pela morte, mas morte ao homem natural, para deixar viver com mais vigor em nós o filho de Deus e irmão dos homens que somos.

Trilhemos esse caminho como discípulos, missionários e fiéis, seguindo os passos de Jesus. Este vence as tentações do demônio, revela a nós, mediante a transfiguração, que pela paixão e cruz chegará à glória da ressurreição e nos ensina a repensar o sim pessoal da fé, num encontro profundo com Ele, a exemplo da mulher samaritana, que recebe d'Ele a salvação, do cego de nascença, que começa a ver, do amigo Lázaro, que é ressuscitado.

Que a nossa Quaresma seja ecológica, também, nos preocupando com o meio ambiente e na sua preservação!

Padre Wagner Augusto Portugal V
igário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

Quaresma: o grande retiro dos cristãos


A palavra Quaresma vem do latim ”quadragésima”. Esse tempo litúrgico compreende os dias que vão da Quarta-feira de Cinzas até Quinta-feira Santa antes da missa da Ceia do Senhor. O número 40 é simbólico e recorda muitas cenas da Bíblia: os 40 anos de caminhada do povo hebreu pelo deserto, os 40 dias que Moisés passou na montanha, os 40 dias de caminhada de Elias para chegar à montanha do Senhor, os 40 dias de Jesus jejuando no deserto.

A Quaresma não tem sentido isolada da Páscoa. Na caminhada quaresmal não vamos ao encontro do nada ou da morte, mas caminhamos para a Ressurreição do Senhor e nossa.

As origens da quaresma são antigas e estão ligadas a outros acontecimentos, como a preparação dos catecúmenos ao Batismo, e a prática das penitências, muito em voga nos primeiros séculos. Já no século IV se fala de quaresma penitencial; nos séculos II e III, costumavam-se fazer alguns dias de jejum em preparação à Páscoa.

A Igreja, neste tempo quaresmal, une-se todos os anos ao mistério de Jesus no deserto. Portanto o espírito quaresmal é de um grande retiro de quarenta dias, durante os quais a Igreja propõe aos seus fiéis o exemplo de Cristo em seu retiro no deserto, e se prepara para a celebração das solenidades pascais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.

As cinzas (que são os ramos bentos no Domingo de Ramos do ano anterior) que recebemos em nossa fronte no início da Quaresma, é um sinal de que nos comprometemos com uma verdadeira conversão. As cinzas são o símbolo da fragilidade humana, lembrando-nos a passagem bíblica que diz que ”tu és pó e ao pó voltarás” (Gênesis 3,19).

A penitência, tradução latina da palavra grega “metanóia”, que na Bíblia significa conversão (literalmente, mudança de espírito) do pecador, designa todo um conjunto de ações interiores e exteriores dirigidas para a reparação do pecado cometido e o estado das coisas que resulta dele para o pecador. Literalmente, mudança de vida se diz do ato do pecador de voltar a Deus depois de ter estado distante de Deus, o do incrédulo que alcança a fé.

A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres da Igreja nos falam de três formas: o jejum, a oração e a esmola, que expressam a conversão com relação a si próprio, a Deus e aos outros.

Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados a fazer penitência pela lei divina. Para que todos se unam na observância de alguma prática, são prescritos dias penitenciais, que devem ser cumpridos com a maior fidelidade (cf. Código de Direito Canônico, 1249). No tempo da Quaresma, prescreve-se jejum e abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa e, as sextas-feiras, como memória da morte do Senhor, são momentos fortes de prática penitencial da Igreja.

“Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, as privações voluntárias como jejum e a esmola, a comunhão cristã dos bens - obras de caridade e missionárias.” (Catecismo da Igreja Católica, 1438)

Somos chamados a concretizar o desejo de conversão realizando as seguintes obras: indo ao encontro do Sacramento da Reconciliação (Penitência ou Confissão), fazendo uma clara confissão e arrependendo-nos de todo coração; superando as divisões, perdoando e crendo no espírito fraterno; praticando as obras de misericórdia.

Os católicos, na Quaresma, tem que cumprir o preceito do jejum e da abstinência, assim como confessar-se e fazer sua comunhão pascal. O jejum consiste em fazer uma só refeição ao dia, ainda que se possa comer menos do que o costume de manhã e à noite. Não se deve comer nada entre as refeições principais, salvo em caso de enfermidade. Obriga-se a viver a lei do jejum todos os maiores de idade, até que tenham cumprido 59 anos (Catecismo da Igreja Católica, 1252). A abstinência é a privação de comer carne e seus derivados, e a lei da abstinência obriga todos os que já fizeram 14 anos. (Catecismo da Igreja Católica, 1252)

Temos que participar melhor deste tempo que a Igreja nos propõe dentro do mistério pascal. Somos convidados à participação dos sacramentos, da missa, à participação nas comunidades, nas via- sacras, nas celebrações penitenciais. Boa quaresma a todos!

Padre José Cipriano Ramos Filho é sacerdote da Diocese de Piracicaba

Quaresma: a busca de um novo homem


Quaresma, período de penitência e preparação para a festa mais importante da fé cristã, a Páscoa. Embora seja um tempo penitencial, não é triste e depressivo, como muitos pensam. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar em plenitude e com mais alegria do mistério pascal de Cristo.

Durante quarenta dias somos convidados à experiência do deserto vivido por Jesus na tentação. O deserto, apesar de nos trazer a figura do sofrimento e da penúria, remete-nos à esperança de renascermos para uma vida nova, assim como o povo de Israel que, após a libertação da escravidão no Egito, chegou à Terra Prometida.

A Quaresma nos chama à renovação, conversão e “morte ao pecado”, para que possamos ressurgir para uma vida nova com Cristo na sua Páscoa. As cinzas, recebidas no início da Quaresma, são usadas como sinal desse arrependimento e luto pelo pecado. Dessa forma, reconhecemos que somos todos igualmente pecadores e pedimos ao Senhor a graça da conversão, a fim de mudar nossa vida pessoal e social.

A Igreja recomenda aos cristãos três principais obras de misericórdia que, de modo especial na Quaresma, devem ser praticadas frequentemente: a oração, para o recolhimento e proximidade com Deus; o jejum, renúncia alegre do supérfluo, como forma de ser solidário com aqueles que não têm o necessário; e a esmola, não de forma mesquinha de quem dá o que sobra, mas no sentido bíblico de ter amor e compaixão pelos excluídos e injustiçados. Esses gestos não podem fazer parte do nosso cotidiano como um mero costume ou formalismo, pois acabariam perdendo seu real significado, o de serem um método a serviço da vida, uma forma de possibilitar o encontro do homem consigo mesmo, com Deus e com os outros irmãos.

Como diz o documento “Sacrosanctum Concilium”, do Concílio Vaticano II, “a penitência do tempo quaresmal não seja somente interna e individual, mas também externa e social.” (SC, 110) Por isso a Igreja no Brasil organiza todos os anos, durante o tempo da Quaresma, desde 1964, a Campanha da Fraternidade que focaliza um aspecto de nossa vida em sociedade em que a fraternidade não está sendo vivida, a fim de que, como cristãos, possamos contribuir para que a humanidade alcance este objetivo. Este ano, ela tem como tema “Fraternidade e segurança pública” e como lema “A paz é fruto da justiça”.

Por ocasião da Quaresma, são retirados das celebrações litúrgicas os cantos de Glória e de Aleluia, que manifestam alegria e regozijo para dar lugar a um clima de maior recolhimento e penitência. Pelo mesmo motivo, o ambiente das igrejas requer sobriedade e despojamento não se usando flores nem outros enfeites para orná-lo.

A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Esse caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, afastando-nos de tudo aquilo que nos separa do Plano de Deus e, por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.

Reflitamos a palavra de Cristo que nos diz: “Não se coloca vinho novo em odres velhos; do contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim tanto um como outro se conservam.” (Mt 9, 17) Portanto, para que a Páscoa seja vivida com toda a sua riqueza espiritual, a Quaresma deve ser vista como um meio de conversão, uma proposta de caminhada em busca do nascimento de um homem novo.

Emanuel Costa Arantes é postulante da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos

domingo, 3 de abril de 2011

Horário das confissões para a Páscoa...


04/04 - Segunda - Feira = Paróquia Divino Espírito Santo - à noite.
05/04 - Terça - Feira = Santa Cruz - manhã e noite.
06/04 - Quarta - Feira = São José - à noite.
07/04 - Quinta - Feira = Perpétuo Socorro - à noite.
08/04 - Sexta - Feira = N. Sra. Aparecida - manhã e noite.
12/04 - Terça - Feira = Santa Rosa - à noite.
13/04 - Quarta - Feira = Bom Jesus = manhã e noite.
14/04 - Quinta - Feira = Turvo e Silvânia - à noite.
15/04 - Sexta - Feira = São Sebastião - à noite.

Obs; Para confirmar o horário ligue no escritório paroquial das paróquias, maiores informações consulte em nosso blog no link Igrejas Católica Matão.

sábado, 2 de abril de 2011

Eventos do Mês de Março



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Reflexão do 4º Domingo da Quaresma - Ano A

Celebramos neste 4º Domingo da Quaresma o “Domingo da Alegria”, onde vemos a cura do cego de nascença que, para nós, anuncia a páscoa que iremos celebrar e que estamos nos preparando para esta grande festa – a Ressurreição. Mas, começando pela primeira leitura vemos o Senhor confundindo a família de Jessé e escolhendo para Rei um garoto, o mais novo da família, e que diante dos olhos dos espectadores seria o menos indicado.

Certamente Deus confunde as mentes com seus conceitos lógicos e nos surpreende operando Seu poder como é o caso de Davi. Deus o escolhe e nele marca sua grande promessa - a vinda do salvador. Assim, com a escolha de Davi, nasce a esperança da libertação do povo de Israel, mas também de todos aqueles que crerem no “filho do homem”. É o inicio de uma promessa que culmina em Nosso Senhor Jesus Cristo. É o que vemos na segunda leitura – “Sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz”. Ele é a luz que veio ao mundo, que tanto Deus proclamou no Antigo Testamento. Tudo o que Deus prometeu a Abraão, nas alianças feitas aos profetas e na pessoa de Davi como o início de um novo reinado concluiu-se em Jesus.


Importante vermos nesta palavra de Efésios que tudo que está nas trevas e que vem a luz torna-se luz. Deus tem a capacidade de, em Jesus, transformar as trevas em luz. Assim aquele pecado, aquela coisa mal feita que temos até vergonha de falar, quando declarada a Deus com arrependimento sincero torna-se, em nós, vida de Deus. Isto é maravilhoso – Deus realiza um milagre em nós transformando nossas imundícies, nossas podridões em vida e em uma vida abundante de graças – só Deus de Amor pode fazer isso. Não percamos tempo, vamos até essa fonte beber da água pura de Sua misericórdia nos banhando no sacramento da confissão.


Olhe bem. Diante de Jesus se coloca um cego de nascença e os discípulos perguntam: “quem pecou ele ou seus pais?” Isto porque no pensamento judaico a enfermidade, a pobreza era um tipo de condenação pelo pecado. Mas com a resposta de Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele”. Isso é importante para nós. Deus só permitiu que o pecado entrasse no mundo porque Ele tem um bem maior a nos dar, se buscarmos este bem maior, mesmo que: “Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!” (Is 1, 18). Jesus quer um coração voltado a Ele para que possa fazer prodígios para nos salvar. Em relação ao cego, fez lama colocou em seus olhos mandou “ir” lavar na piscina de Siloé que quer dizer “emissário”. Isto num dia de sábado, foi questionado, acusado, mas para dar a LUZ a alguém que estava nas trevas, Jesus rompe com qualquer tradição e costumes, isto também serve para nós que muitas vezes ficamos presos em: modas, costumes, tradições, etiquetas em uma sociedade que nos diz: faça assim, não faça assado... E não somos para o irmão sinal de amor. NADA PODE SUPERAR A CARIDADE! Pois Deus disputa nações para salvar uma alma sequer.


Vamos parar de colocar obstáculos para sermos bons. A luz de Cristo brilha em nós, somos o povo do Senhor, bebamos nesta fonte e deixemos ser Luz para o irmão. Nosso mundo está mergulhado em trevas, mas você pode ser um farol e começar a transformar este mundo. Faça um propósito de colocar toda a sua vida com tudo que ela tem: pecado, enfermidade, problemas familiares, finanças, enfim toda a sua vida nas mãos do Senhor e a Luz do alto te iluminará fazendo que em você se manifeste a Glória de Deus.


Amém!

Antonio ComDeus



O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia;deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza. Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração,jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos. Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo (Sermo 43: PL 52,320.322) (Séc.IV)
Fonte: http://www.liturgiadashoras.org/

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